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A qualquer momento um pelotão do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Pará deve chegar a Marabá – vindo de Redenção – para realizar seis reintegrações de posse de s propriedades rurais de Marabá e região. No pacotão, está uma propriedade do Grupo Cosipar de 200 mil metros quadrados, situado dentro da área urbana de Marabá, entre a Folha 8 e a ponte Rodoferroviária sobre o Rio Tocantins. Os moradores denominaram a ocupação de Folha 1.

Segundo os moradores, são cerca de 450 famílias que podem ficar sem ter para onde ir a qualquer momento. Segundo os moradores, a área estava abandonada, era ponto de consumo de drogas e, após a ocupação, tornou-se uma comunidade organizada. “Lutamos muito por esse espaço. Acho que não é justo sermos despejados agora. Construímos casas e fizemos outras benfeitorias. A justiça podia recuar e o Estado negociar com os donos essa área”, diz o pedreiro José Carlos Antunes, dizendo que soube que a propriedade custaria cerca de R$ 20 milhões.

O vereador e coronel da reserva da Polícia Militar Antônio Araújo está sensibilizado com a situação dos moradores e tem tentado intermediar um acordo para que a reintegração não seja cumprida. Segundo ele, a propriedade da Cosipar está penhorada pela Justiça Federal do Trabalho e há uma audiência marcada para o dia 23 de fevereiro próximo, a qual poderá resolver o impasse.

Araújo esteve nesta sexta-feira em audiência com a juíza Adriana Karla Diniz Gomes da Costa, que está respondendo pela 2ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Marabá. Ela ouviu atentamente o pleito do vereador e disse que

A ocupação da área iniciou em maio de 2013. No ano seguinte, a Justiça concedeu um mandado de reintegração de posse, mas os moradores fizeram pressão, manifestações pela cidade e acabaram conseguindo permanecer na área por mais um tempo.

“Os invasores entraram sem legitimidade alguma, a empresa tem toda documentação, a propriedade é legal, tem tudo estruturado, registrado, e o ordenamento jurídico brasileiro, garante a propriedade. O que eles fizeram é de tamanha ilegalidade”, declarou à época da invasão, o advogado da empresa, José Diogo de Oliveira Lima.

Quem determinou a reintegração de posse da área da Cosipar foi a juíza Adriana Karla Diniz Gomes da Costa, que está respondendo pela 2ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Marabá e entende que ação trabalhista é uma coisa e ação civil é outra. A única forma de suspender seria se a Cosipar se manifestasse apresentando esse pedido, para que não seja feita a reintegração de posse. “Há um risco social muito grande naquela área. Fiquei de levar um relatório da Polícia Militar mostrando isso. Vamos tentar uma audiência envolvendo a diretoria da Cosipar e os moradores”, disse Araújo.

O vereador alerta que se for cumprida a reintegração de posse pode haver confronto, porque muitas pessoas não têm para onde ir e investiram tudo que tinham construindo casas no período de três anos. “Espero que a Cosipar sente para dialogar, porque mesmo se houver reintegração, ela não vai poder vender a área, porque está penhorada pela Justiça do Trabalho”, reitera.

Aline da Silva Valéria, moradora da Folha 1 diz que está no local há mais de dois anos com dois filhos menores de dois anos e trabalha como manicure. O marido trabalha e ganha apenas um salário mínimo. Ao saber, pela reportagem, que pode sair a qualquer momento da área por força policial, ficou nervosa e preocupada. “Se a gente sair daqui, não teremos para onde ir. Compramos madeira usada para fazer esse barraco”, diz.

José Silveira de Oliveira, presidente da Associação de Moradores da Folha 1, disse que soube da reintegração de posse, mas que está confiante que o coronel Antônio Araújo, juntamente com uma comissão de moradores do bairro, vão conseguir desarticular a determinação judicial para retirada das famílias. “Vamos lutar até o fim. Não podemos desistir agora, quando a grande maioria já construiu suas casas”, disse José. (CT Online/Ulisses Pompeu e Josseli Carvalho)

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