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O Ministério Público do Pará (MPPA) cedeu à TV Liberal imagens da delação premiada de Pedro Nazareno Nascimento Costa, tesoureiro da Câmara de Vereadores do Município de Parauapebas, no sudeste do Pará. O vídeo foi incluído ao processo que investiga denúncias de fraudes em licitações na Câmara.

Segundo o MPPA, o empresário Edmar Cavalcante venceu licitações para o fornecimento de alimentos e locação de veículos para a câmara do município, entre os anos de 2013 e 2014, quando o vereador Josineto Feitosa presidia a casa. O MPPA investiga o superfaturamento dos contratos.

Durante a delação, o tesoureiro explicou detalhes do esquema. “Eu levava (o Edmar) no banco, lá ele pegava o dinheiro e trazia. Ele separava duas partes do dinheiro, uma ficava com ele e a outra ele botava em um envelope e me entregava. Eu levava lá para o Josineto ou para o diretor administrativo”, diz o tesoureiro.

O diretor administrativo da câmara entre os anos de 2013 e 2014 era Herbeth Herland, concunhado de Josineto Feitosa. Só Herbeth podia receber o dinheiro da propina além do então presidente da câmara. O tesoureiro relatou ainda que chegava a buscar o dinheiro na própria empresa vencedora das licitações.

“Às vezes ele (Edmar) levava o dinheiro para o supermercado. Eu pegava lá e trazia, deixava no gabinete do Josineto ou do Herbeth. Eu não podia questionar, porque vinha ordem de cima para eu fazer”, afirma Pedro Nazareno, se referindo a ordens dadas por Josineto ou Herbeth.

Para o promotor de Justiça Hélio Rubens, o depoimento do tesoureiro ajuda a elucidar o caso. “Nós já tínhamos várias peças que já estavam bem montadas, mas com esse depoimento do Pedro o quebra-cabeça se fecha por completo e a tese do Ministério Público, da existência de atos gravíssimos de corrupção na câmara, fica comprovada”, diz o promotor.

Em vídeo obtido pela TV Liberal, Josineto Feitosa depõe sobre ter autorizado o pagamento do aluguel de veículos em valor superior à quantidade de carros locados. “Eu assinava o pagamento, assinava o cheque, era isso que eu fazia”, disse o ex-presidente da câmara. Ao ser questionado sobre a possibilidade de não assinar os cheques, Josineto responde: “é verdade”.

Seis parlamentares foram afastados de seus cargos após as denúncias de corrupção na câmara do município. Um deles renunciou ao mandato, mas todos vão responder na Justiça. Vereadores e outros suspeitos de envolvimento nas fraudes serão interrogados e julgados na próxima fase do processo, e podem ser condenados a devolver cerca de R$ 1 milhão e 300 mil aos cofres públicos. (G1)

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