f_Sintepp (1)Em retaliação à decisão da gestão municipal de não atender às exigências dos educadores da rede municipal, o Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará), subsede de Marabá, decidiu por paralisar as atividades escolares por tempo indeterminado. Uma agenda com todas as ações de professores e funcionários escolares foi divulgada pelo movimento sinalizando o que será feito nos próximos dias. Com a paralização, mais de 60 mil alunos da rede municipal terão o início do ano letivo adiado.

Na sexta-feira (12) os educadores deram início ao calendário de greve ocupando o prédio da Prefeitura Municipal, ao mesmo tempo em que estudantes invadiam o local em protesto contra o aumento das passagens de ônibus.

Em resposta, a Prefeitura Municipal, através de sua assessoria, declarou que o direito de manifestação é legítimo e que há abertura do órgão para dialogar com todas as classes. Porém, deixou claro que está preocupada com os estudantes das escolas municipais que, no momento, estão privados de frequentar as salas de aula. “Os pais desses alunos merecem ver, em forma de educação para seus filhos, os tributos que recolhem ao erário municipal”, disse em comunicado.

De acordo com Wendel Bezerra, coordenador local do Sintepp, outras mobilizações estão agendadas para ocorrer logo no início da semana. “Na segunda-feira, nós vamos iniciar nossa mobilização pela Semed. Na terça-feira, realizaremos uma marcha saindo do ginásio da Folha 16 até a Prefeitura Municipal de Marabá. Na quarta-feira, faremos uma caminhada saindo da Praça São Francisco até a Secretaria de Educação”, declarou.

Ainda segundo Wendel, na próxima sexta-feira, dia 19, haverá uma grande assembleia dos trabalhadores para avaliar o movimento de greve na Prefeitura. “Nós vamos ocupar aquele espaço e mostrar para o gestor de Marabá que ele precisa recuar nos cortes”, ressaltou o líder.

Wendel informou também que os trabalhadores na Educação, entre professores, serventes, merendeiras e demais funcionários, somam mais de 3 mil pessoas, sendo que cerca de 800 destas estiveram presentes na assembleia de quinta-feira, 11, e acordaram com tudo o que foi discutido no dia.

O coordenador local do Sintepp também fez um apelo, pedindo que os pais de alunos não levassem seus filhos às escolas para evitar tumulto. Além disso, ele justificou que a deliberação da greve veio em resposta à intransigência do governo municipal.

“Infelizmente, mais uma vez, ao invés de chamar sindicato para dialogar, o governo fala no jornal que vai anunciar os cortes e as medidas que serão tomadas. Isso nos coloca em uma situação de não ter diálogo. Se o governo não tem diálogo, o sindicato também não tem e o único caminho é a greve”, reafirmou.

Reivindicações

Os professores querem o aumento do piso, a garantia da hora-atividade e condenam os cortes previstos para o PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração). “Nós entendemos que as alterações no plano de carreira têm que ser no sentido de beneficiar os trabalhadores. A questão da hora-atividade, por exemplo, é um direito assegurado desde 2008 e o município de Marabá vem protelando. Mas, declaramos que 2016 não iniciaria sem resolver isso e o Sintepp está aqui cumprindo. Lembrando também que o nosso piso deveria ser ajustado no pagamento de janeiro, pauta que o governo também não atendeu”, informou Wendel.

O sindicalista disse ainda que a ação do executivo foi precipitada, visto que foi pedido um prazo pela gestão municipal de 30 dias para análise da auditoria feita nas contas da educação. “É muito contraditório que a prefeitura já comece a implementar medidas de cortes no direito do trabalhador sem ter o resultado da auditoria”, concluiu.

Wendel também deixou claro que o movimento é unificado e que espera a adesão de todos os educadores, não dando margem para os profissionais que insistirem na ideia de trabalhar nas escolas municipais. “A gente não vai aceitar e, se for necessário, um movimento contra esses trabalhadores vai ser radicalizado conforme já foi aprovado aqui”, ressaltou.

O que diz a lei

A Lei 7783/1989 ou Lei de greve exige que sindicados ou a comissões mantenham em atividade um número de servidores para assegurar que não haja prejuízos irreparáveis aos cidadãos e que é necessário que haja um comunicado de greve com, no mínimo, 72 horas de antecedência.

Ou seja, os grevistas não poderiam deflagrar a greve no momento em que ela fosse decidida. Porém, Wendel explica que a educação não é considerada um serviço essencial e que somente tais serviços podem ser enquadrados nessa lei.

Questionada quanto ao funcionamento das escolas municipais no restante desta semana a Semed informou que a secretaria não foi comunicada oficialmente pelos professores ou seus representantes sobre o ato de greve.

A Semed também não soube informar sobre o número de escolas que funcionou no primeiro dia da greve anunciada, uma vez que são 227 estabelecimentos de ensino no município todo e muitos deles tinham datas diferentes para começar o ano letivo.

(Nathália Viegas)

COMPARTILHE

DEIXE UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.