f_Carne (1)Uma das cidades mais ricas do Brasil, Parauapebas ainda registra abates clandestinos de boi e outros animais de menor porte, como suíno, que são vendidos em açougues e feiras da cidade que não seguem as normas estabelecidas pela Vigilância Sanitária. A Secretaria Municipal de Produção Rural (Seprol) vem tentando combater a prática mediante ações realizadas pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), ligado à pasta.

A missão, no entanto, não tem sido nada fácil, já que esse tipo de abate é feito de forma escondida – geralmente na madrugada – e a carne repassada aos estabelecimentos do ramo, que vendem para consumo sem que a população desconfie que se trada de um produto que não teve a devida inspeção sanitária. Isso ocorre porque o consumidor dificilmente procura saber se a carne que está comprado tem ou não selo do SIM.

De acordo com o Secretário Municipal de Produção Rural, Antônio Horácio Martins Filho, as ações de combate ao abate clandestino são permanentes porque se trada de um caso sério de saúde pública. Ele ressalta que ainda há muito abate na “folha” (método sem nenhuma condição de higiene), principalmente de boi e suínos.

Por essa razão, ressalta o secretário, a fiscalização tem sido redobrada para tentar reduzir esse tipo de crime na cidade. “Inclusive a equipe do SIM trabalha em conjunto com a da Vigilância Sanitária nessas fiscalizações”, destaca.

Horácio lembra que antes Parauapebas não contava com nenhum frigorífico legalizado e que seguisse as normas recomendas pela Vigilância Sanitária. Os animais eram abatidos de qualquer jeito e a população consumia a carne sem saber se aquele animal tinha alguma zoonose (doença transmissível do animal para o homem), por exemplo, como é o ocaso da brucelose, que acomete bovinos.

Com a criação do SIM, iniciou-se o trabalho de combate aos clandestinos. Dos frigoríficos que existiam, apenas um se adequou às exigências da Vigilância Sanitária. É esse frigorífico que faz o abate para criadores de bovinos no município. O resto é feito ainda de forma clandestina.

Segundo o secretário, se não fosse à criação do SIM, a situação seria ainda mais grave. O órgão faz fiscalização com vista a garantir a sanidade e qualidade dos produtos de origem animal em indústrias e frigorífico. Neste último, fiscaliza desde o recebimento dos animais até a expedição da carne para o comércio.

O SIM conta com profissionais que desenvolvem o trabalho de controle de qualidade, bem estar animal e a inspeção dos produtos. O único frigorífico regularizado tem capacidade para realizar 350 abates de bovinos por dia, atendendo a demanda de Parauapebas e outros municípios vizinhos.

Obrigatoriedade

Segundo a médica veterinária Márcia Ferro, que há seis anos trabalha na área de controle e qualidade, por lei é obrigatória à permanência do médico veterinário, responsável pela inspeção, durante todo o processo de abate, liberando para consumo os produtos devidamente embalados e identificados. No caso de lacticínios e indústrias artesanais, a fiscalização é realizada desde o recebimento da matéria prima até o beneficiamento e a produção de alimentos.

A veterinária, que ressalta que não é permitida a venda de produtos de origem animal sem inspeção, explica que o SIM tem trabalhado junto aos produtores, informando, por exemplo, sobre os danos que um alimento contaminado pode causar à saúde das pessoas. “Os cuidados com os alimentos devem continuar no comércio e na casa do consumidor, visando principalmente, evitar a contaminação do produto”, aconselha Márcia Ferro.

Ítalo Alfaia, médico veterinário responsável pela inspeção dos produtos, acrescenta ainda que é preciso cumprir a lei para comercialização de um produto de qualidade. “No início do serviço era mais complicado, hoje é algo natural para os proprietários que trabalham dentro da legalidade. Encontramos doenças como tuberculose, brucelose e cisticercose”, informa, alertando ainda que, se não fosse à inspeção, a carne doentia ia parar na mesa do consumidor.

Orientação

Os profissionais orientam o consumidor que, ao comprar qualquer tipo de alimento, observe a embalagem com o rótulo indicando o endereço do fabricante, data de fabricação e prazo de validade. Para os alimentos resfriados, deve ser verificada a temperatura de conservação. Alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite, queijos e embutidos em geral devem possuir o carimbo de inspeção, seja municipal, estadual ou federal, garantindo a sua qualidade.

De acordo com o coordenador geral do SIM, Antônio Júnior Gomes, além do frigorifico de bovinos, o SIM inspeciona o frigorífico de aves, que abate aproximadamente 450 animais diariamente, e também o de carne suína, com cerca de 100 abates por semana. O órgão fiscaliza ainda os produtores artesanais de queijo, uma fábrica de charque e linguiça e dois lacticínios que processam, diariamente, 10 mil litros de leite. (CT Online/Tina Santos)

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