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Cinco conselhos municipais prepararam um extenso documento, recheado de fotos e fatos estarrecedores, pelo qual denunciam a precariedade do atendimento à Assistência Social no município de Parauapebas. O caso foi denunciado por eles aos conselhos estaduais, nacionais e também ao Ministério Público Estadual e Federal, tendo em vista os recursos que a pasta recebe de outras esferas. Superlotação no espaço de acolhimento, centro de referência abandonado e servindo de depósito de entulho, além da falta de alimentos e fossas a céu aberto, são alguns dos problemas denunciados.

A queixa partiu de membros do Conselho Municipal de Assistência Social de Parauapebas (COMASP), Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Parauapebas (COMDCAP), Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Parauapebas (COMDPDP) e conselhos tutelares I e II.

Eles prepararam uma apresentação em PowerPoint com nada menos que 500 páginas, com vasto registro em fotos, relatórios, documentos oficiais em que listam com profundidade o caos no sistema de assistência social da Prefeitura de Parauapebas.

Reunião

Depois dos conselheiros terem revelado publicamente que iriam divulgar o relatório, uma reunião de emergência foi convocada na manhã desta segunda-feira (29) para o gabinete do prefeito Valmir Mariano, sem a presença do mesmo. Quem o representou foi o chefe de gabinete, Wanterlor Bandeira, além da secretária de Administração, e os vereadores Marcelo Parceirinho e Bruno Soares.

Eles se mostraram perplexos e disseram, sem especificar datas, que providências seriam tomadas, porém isso não convenceu muito. Um dos conselheiros, que pediu reserva do seu nome, e é servidor antigo da Prefeitura, disse ser incabível crer que os dirigentes das secretarias não tivessem conhecimento dos problemas, os quais são denunciados há muito tempo. “O secretário de Assistência Social, Alex Gomes Fontenele, que está na função por apadrinhamento político, sempre minimiza a situação quando perguntado sobre o assunto”, diz a fonte do jornal.

Sucateamento

As situações mais graves dizem respeito ao Abrigo de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes – o “Abrigo Esperança”, que tem capacidade para 20 acolhidos e hoje tem 34. Ali, faltam material de limpeza, alimentos, e a água comprada em galões de água mineral, na verdade é adicionada com sais. Assustam as fotos de fossas a céu aberto.

O abrigo fica na Rua Espanha, Bairro Vila Rica, com acesso pelo Alto Bonito. No prédio público ao lado, onde deveria funcionar o Centro de Referência da Criança e Adolescente (Criar), o mesmo está desativado desde julho do ano passado e serve hoje como depósito da prefeitura a céu aberto.

É possível encontrar ali, abandonadas, centenas de carteiras escolares na cor vermelha, que teriam sido abandonadas, segundo a fonte, pela cor delas, que faz alusão ao partido que governava o município antes da atual gestão. Documentos referentes a 2011, do setor contábil e financeiro da Secretaria de Educação, e que com certeza ainda interessam a prestação de contas, estão ali ao alcance de qualquer um que entre no local.

As visitas em que foram colhidas as imagens remontam ao período de 15 a 18 de fevereiro de 2016. Esta é a primeira de uma série de reportagens sobre aspectos do relatório. Acompanhe mais sobre o assunto na próxima edição.

Assessora fala pelo secretário de Assistência

Nossa equipe telefonou nesta segunda-feira para o secretário de Assistência Social, Alex Gomes Fontenele, o qual atendeu, num primeiro momento, mas disse que quem responderia pelo assunto seria a sua assessora, a senhora Grazi Silva, a quem passou o celular.

Ela disse que: “As providências serão tomadas em conjunto por envolverem vários seguimentos da Prefeitura”, mas não soube especificar data e nem que tipo de ações serão feiras. A isso, justificou que em três dias um plano de ação será apresentado aos conselhos e eles vão decidir o que querem que seja feito.

Questionada sobre o Centro de Referência, a resposta soou contraditória. Ela reconheceu que o mesmo está sem atendimento desde agosto do ano passado, mas disse não considerar que o mesmo esteja inativo, pois aguarda lotação de servidores e orçamento para que sejam retomadas as oficinas trabalhadas ali.

Sobre o caixa da pasta de Assistência Social, ela disse que teve cortes de orçamento – embora não soubesse dizer de quanto – e contextualizou que esse seria um problema de todas as prefeituras do Brasil, não só de Parauapebas.

Ela também negou que o prédio estivesse abandonado, e quando contraposta pela reportagem quanto ao acesso fácil que as pessoas tiveram para bater fotos do local, Grazi Silva colocou a culpa na falta de muro ou cerca nos fundos do prédio, mas insistiu que o mesmo conta com vigilância e gerente.

Quanto ao entulho encontrado ali, ela diz que o local foi cedido à Secretaria Municipal de Educação por um período, mas que já foi solicitado o recolhimento do entulho e dos papeis ali encontrados. (CT Online)

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