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Escalas longas de serviço pesado e perigoso, falta de efetivo e más condições de trabalho. Esses são alguns dos problemas que os policiais militares enfrentam atualmente. Responsáveis pelo policiamento ostensivo e preventivo, esses profissionais reclamam que estão chegando ao seu limite. Por outro lado, veem a criminalidade aumentar.

“É um trabalho muito complicado, perdemos noites de sono. Mas o pior de tudo é que a sociedade, que deveria nos ajudar, não ajuda. Nossa escala é apertada e, por falta de pessoal, estão explorando o que podem dos policiais de rua, situação que causa problemas psicológicos e físicos”, reclama policial que relatou a situação de trabalho atual da classe. Ele preferiu não se identificar.

Para ele, a falta de efetivo operacional é o que causa essa sobrecarga de trabalho. “Dizem que só temos horário para entrar, e não para sair. Se tiver um flagrante, só podemos deixar o serviço depois de resolver a questão. Existe unidade que não tem nem como dar folga para o policial, porque senão vai faltar”, denuncia.

Em 2013, o governo do Estado realizou concurso para preenchimento de 300 vagas para soldado. Outros 100 foram chamados do cadastro reserva. No entanto, naquela época, o Estado contava apenas com 12 soldados e desde então novas aposentadorias ocorreram e policiais foram afastados das ruas por problemas de saúde. O militar ressaltou que são comuns problemas na coluna por causa da situação precária de algumas viaturas.

”Estou com um problema degenerativo na coluna e, por isso, estou afastado. Não foi a única causa, mas acredito que o trabalho contribuiu”, garante.

Viaturas

Outra situação corriqueira ressaltada pelo militar é a disponibilidade de apenas oito viaturas para cobrir todo o Plano Diretor de Palmas. “Normalmente, deveria haver três policiais em cada viatura, mas hoje só tem dois. Mas esse número de viaturas depende do dia. É complicado porque a sociedade está vendo o tanto que a violência aumentou”, lamenta.

O policial também acredita que uma solução para amenizar a situação é colocar os policiais que estão trabalhando à disposição de outros órgãos nas ruas. “Existe muitos policiais com desvio de função que trabalham em outros órgãos como segurança, só para vigiar prédio”, reclama.

Comunidade

As notícias de assaltos, roubos e até latrocínios se tornaram cada vez mais constantes na imprensa local. Na semana passada, um jovem de Palmas usou uma rede social para contar seu drama durante uma invasão à sua casa.

Os ladrões fizeram ele e os amigos reféns e os agrediram com o revólver. Os bandidos fugiram após um rapaz que estava trancado em um dos quartos chamar a polícia. Um carro, celulares, dinheiro e eletrodomésticos foram levados.

“Confesso que o dia 23 de março vai ficar marcado pelo desespero, confesso que não guardo mágoas dos bandidos, tenho pena deles, por não terem tido a sorte que tenho, de ter ótimos amigos de boa índole, de não terem uma família como a minha, de não terem coragem, nem garra, nem força de vontade para estudar, se formar e correr atrás dos sonhos como faço todos os dias”, relata o rapaz em sua página. (Jornal do Tocantins)

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