Estão recolhidas no sistema prisional três pessoas contra quem a Justiça Federal expediu mandado de prisão preventiva por indícios de envolvimento em fraude do Seguro Defeso. Duas prisões – que tinham como alvo um casal – foram cumpridas pela Polícia Federal em Nova Ipixuna, esta semana. A PF não divulgou oficialmente o nome dos alvos, mas o terceiro foi o vereador da cidade Zacarias Rodrigues da Silva, o Da Silva.

Ele foi informado acerca do mandado no Centro de Triagem Masculina de Marabá (CTMM), onde já estava recolhido desde o último dia 3, quando foi preso for força de outra determinação judicial. Da Silva é ex-presidente da Associação de Pescadores da Colônia Z-58, em Nova Ipixuna, e foi preso há duas semanas porque estaria coagindo testemunhas do caso em investigação. De acordo com o delegado Joziel Brito, da Delegacia da Polícia Federal em Marabá, os três faziam parte de um esquema de fraude ao Seguro Defeso.

“Essas fraudes aconteciam de algumas formas: ou a pessoa não era pescadora e recebia por meio da associação o benefício ou a pessoa era, mas a associação criava dificuldade para vender facilidade, pegando e cobrando um pedaço do benefício para ela mesma, mas o valor acabava ficando não com a associação, mas com pessoas que se apropriavam do dinheiro público que é voltado para o pescador”, explicou.

De acordo com ele, muitas pessoas que tinham outras ocupações eram utilizadas como ”laranjas”, se passando por pescadores para serem cadastradas no programa. “Eles (suspeitos) recolhiam uma quantia em cima do valor do benefício. Para se ter uma ideia, dos falsos pescadores eles pegavam o benefício inteiro ou metade do benefício. Essa cobrança variava de caso em caso, mas ficavam com uma parte de cada benefício, que são quatro salários mínimos por ano. Destes quatro salários, às vezes, ficavam com um ou com meio”. A Polícia Federal identificou entre os beneficiários, por exemplo, proprietários de salão de beleza e manicures.

A colônia onde acontecia a fraude está situada em Nova Ipixuna, mas isso não impediu o grupo de estendê-la para a região. Além das prisões preventivas, foram expedidos cinco mandados de busca e apreensão, tendo sido cumpridos alguns em Nova Ipixuna e outros em Itupiranga, município limítrofe a 39 km de Marabá.

“Eles tentavam arrumar falsos pescadores em outras regiões, como Itupiranga, para crescer o volume. Eles tinham em uma cidade pequena como Nova Ipixuna pelo menos 2.200 pescadores cadastrados. Chamou a atenção porque é uma cidade que não comporta tanto pescadores”, comentou Brito. Dentre as pessoas beneficiadas, por exemplo, existiam dezenas de mulheres, mesmo que não se veja muitas delas na atividade de pescadora.

O delegado destaca que pelas estimativas iniciais acredita-se que, ao longo de cerca de 10 anos, a fraude tenha desviado ao menos R$ 10 milhões, convertidos em prejuízo aos cofres públicos. “Não quer dizer que os autores do crime ficaram com todo o dinheiro, mas quer dizer que falsos pescadores ficaram com dinheiro, os autores ficaram com parte do dinheiro, enfim, ao longo de anos de fraude praticada por este volume de pessoas a soma é assustadora”, declara, acrescentando que a Polícia Federal já vinha há algum tempo monitorando a situação.

“Essa investigação já dura algum tempo e tanto é que um dos envolvidos acabou preso em outra ação, em outra investigação, com o mesmo esquema de fraude ao seguro defeso por coagir testemunha. Ele já estava preso e agora vai responder por mais estes crimes. Essa investigação dá um ponto final a essas fraudes na nossa região”, encerrou o delegado. O vereador já havia sido preso anteriormente por outras fraudes.

O primeiro mandado de prisão, que se deu no dia 3, foi cumprido na casa do vereador, que está, atualmente, no segundo mandato na Câmara Municipal de Vereadores de Nova Ipixuna, da qual também já foi presidente. Da Silva era pescador, acabou se tornando empresário e, em seguida, vereador do município.

Ouvido pelo CORREIO, o pescador Hélio dos Santos Santana, que atua em Itupiranga, desabafou ao saber das prisões. “O pescador é desprezado por tudo, principalmente pelos presidentes da colônia que são os que mais pegam dinheiro na época da Piracema. Porque o pescador tira o último para o seguro defeso, eles enchem o bolso e não correm atrás”, afirma, acrescentando que as colônias arrecadam dinheiro enquanto os pescadores mal recebem os benefícios.

“Eu acho, no meu ponto de vista, que as colônias ganharam muito dinheiro com isso e o governo também sabia disso. Hoje tem colônia em que a maioria dos associados é mulher. E é difícil ver mulher pescando no rio”, comentou.

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A Polícia Federal mobilizou quatro equipes – compostas por 20 homens – para dar cumprimento aos mandados em Itupiranga e em Nova Ipixuna. Caso sejam condenados, os investigados podem receber pena de até 15 anos de reclusão. (CT Online/Luciana Marschall com informações de Larissa Rocha)

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