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No próximo domingo (17) completa 20 anos do assassinato de 19 trabalhadores rurais ligados ao Movimento Sem Terra (MST) em confronto com a Polícia Militar no sudeste do Pará. O episódio conhecido, como Massacre de Eldorado dos Carajás, será lembado este ano com dois atos públicos e com a realização de encontros para discutir a reforma agrária no Brasil, durante o “Abril vermelho”.

Centenas de jovens estão a caminho da “Curva do S”, na PA-150, localizada entre os municípios de Marabá e Eldorado dos Carajás, no sudeste do Estado. Cerca de mil pessoas são esperadas para participar do Acampamento Nacional da Juventude, em homenagem a Oziel Alves Pereira, que tinha 17 anos e era o mais jovem entre as 19 vítimas do massacre de 1996.

A programação que começou no último domingo (10) segue até o dia 17 com informações, oficinas, atividades culturais e de memória sobre os assassinatos e ainda visita ao cemitério de Curionópolis, onde as vítimas do massacre foram enterradas.

Ainda dentro da programação em homenagem às vítimas do Massacre de Eldorado dos Carajás ocorre a Conferência Internacional da Reforma Agrária, de 13 a 17 de abril, em Marabá. O evento é organizado pela Vía Campesina e contará com a participação de representantes e lideranças de movimentos camponeses dos cinco continentes do mundo. No encontro será lançado o caderno de conflitos no campo organizado pela Comissão Pastoral da Terra.

Além disso, em Marabá, será realizada de 11 a 16 de abril a Semana Camponesa da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Em Belém, a Universidade Federal do Pará (UFPA) também sedia um evento em alusão aos 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, na 1ª Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária, marcada para os dias 26 e 27 de abril.

Atos públicos

Os principais eventos da programação serão os dois atos públicos simultâneos agendados para o fim da tarde do próximo domingo (17), no horário e data em que o Massacre completa 20 anos.

O primeiro ato será realizado na própria “Curva do S”, em Eldorado de Carajás, onde ocorreu o Massacre; e o segundo, em Belém, na Praça Mártires de Abril, localizada no bairro de São Brás. A expectativa do MST é que milhares de pessoas compareçam aos atos públicos.

Ulisses Manaças, presidente do MST no Pará, aponta que 20 anos após os assassinatos há um retrocesso na luta pela reforma agrária e a impunidade dos envolvidos no massacre.

“O movimento pela reforma agrária foi marginalizado, os debates tiveram um retrocesso, já não temos mais assentamentos sendo feitos e a violência que pedomina na cidade atinge também o campo, agravada pelos conflitos pela terra”, enumera.

Para ele, a impunidade dos envolvidos no Massacre também é um ponto negativo. “Os julgamentos foram marcados por problemas. Os comandantes da operação cumprem prisão domiciliar e os outros envolvidos foram absolvidos após três julgamentos. Isso é impunidade”, acredita Ulisses.

Massacre

O confronto entre integrantes do MST e policiais ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, quando 1,5 mil sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras na rodovia PA-150. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local. Além de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais atiraram contra os manifestantes. Dezenove camponeses foram mortos.

Dos 155 policiais que participaram da ação, Mário Pantoja e José Maria de Oliveira, comandantes da operação, foram condenados a penas que superaram os 150 anos de prisão. José Maria de Oliveira permanece custodiado no Centro de Recuperação Especial Anastácio das Neves. Já Mário Colares Pantoja está em recolhimento domiciliar para tratamento de saúde. Já os demais políciais militares que foram a julgamento foram absolvidos dos crimes.

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