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O Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO) está passando pela mesma situação que a Polícia Militar do Estado: falta de efetivo. Além do trabalho que normalmente já é pesado, os bombeiros ainda enfrentam longas escalas de trabalho – resultado da falta de pessoal.

A situação é confirmada por um bombeiro que não quis se identificar. Ele relatou que além de cumprir escalas de trabalho 24/48, durante a folga ainda eram chamados para fazer atividades físicas. “O militar não tinha vida, vivia estressado e aumentaram os problemas de saúde”, disse, ressaltando que essa escala comprovadamente traz malefícios para a saúde do servidor.

De acordo com o bombeiro, o ideal seria que a cada hora trabalhada, o servidor tem direito a três horas de folga, correspondendo à escala 24/72. “Os militares estão sofrendo uma série de patologias, então não temos mais condições de ter uma escala de 24/48”, explicou.

O bombeiro ainda reclamou que, no mês de julho, época das praias no Estado, a situação piora. “Na época de praia eles sugam mais do pessoal para tentar cobrir a área que não dá conta. Hoje a área dos bombeiros é muito extensa, então não temos condições físicas de atender todas as ocorrências”, explicou.

Estrutura

O bombeiro também informou que a estrutura de trabalho está comprometida. “Não tem fardamento, tem mais de três anos que não trocam e trabalhamos com as fardas extremamente antigas e rasgadas, que já não tem nem como pegar mais costura”, reclamou.

Além da falta de efetivo para cumprir as ocorrências, o bombeiro ainda questionou a abertura do Colégio Esportivo Militar do Corpo de Bombeiros Professora Margarida Lemos Gonçalves (Cemil), Sul de Palmas, que resultou em mais alterações no efetivo. “Se não tem militar para compor as escalas, porque vai tirar um militar para abrir uma escola que poderia abrir futuramente, quanto tivesse efetivo? Então, o operacional sempre fica padecendo dessas ações”, lamentou.

Recursos

Sobre a situação dos bombeiros, o presidente da Associação dos Praças Militares do Tocantins (Apra), João Victor Moreira, explicou que, desde 2014, a classe está lutando para extinguir a carga horária de 24/48. “Entramos com uma ação, mostrando até a disparidade entre os bombeiros que trabalham no administrativo e os que trabalham no operacional”, explicou Moreira.

No último dia 29, a associação se reuniu com o comandante, coronel Dodsley Yuri, para buscar uma solução para a situação. Ficou acordado que a escala de serviço do CBMTO retornará de forma que para cada hora trabalhada o bombeiro tenha três horas de folga, mesmo no mês de julho, época das praias. “A corporação gostou e para o serviço operacional é algo histórico, porque isso nunca havia acontecido no Estado” comemorou Moreira.

Efetivo no TO

■ Corporação possui aproximadamente 504 bombeiros
■ 84 fazem parte do excedente do último concurso que esperam convocação
■ Dos 139 municípios do Estado, a corporação está presente apenas em Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Araguatins e Paraíso do Tocantins.

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