Centenas de peixes mortos foram encontrados no rio Xingu, nas proximidades da usina Belo Monte, no município de Vitória do Xingu, no sudoeste do Pará. A Norte Energia, empresa responsável pela usina, informou que o problema pode ter sido provocado por uma alteração em uma das turbinas da hidrelétrica e que está preparando novos procedimentos para evitar que este tipo de incidente se repita.

Pescadores registraram no dia 21 de abril a coleta dos peixes mortos na região do sítio Belo Monte, nas proximidades da principal casa de força da hidrelétrica. A coleta dos peixes foi feita por equipes contratadas pela Norte Energia.

A situação preocupa os pescadores da área, que temem a mortandade de peixes enfraqueça a atividade pesqueira no rio Xingu. “A cena assustou demais os moradores daqui, principalmente os ribeirinhos que vivem da pesca e não tem outra função”, diz o pescador Manoel dos Santos.

Segundo o pescador Rosivan da Silva, as crianças da área tentaram pegar os peixes. “Eu digo ‘não, deixa quieto, porque ninguém sabe do que (os peixes) estão morrendo'”, conta Rosivan, sobre as causas ainda não descobertas da mortandade.

As vinte famílias que moram na comunidade do Bambu dependem exclusivamente da pesca para sobreviver. “Há uns dois anos atrás a gente pegava 30kg, 40kg. A gente vai hoje em dia e pega 5kg, 6kg de peixe. Tem vezes que vai e não pega nada”, afirma o pescador Oziel da Silva.

Entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, o Ibama constatou a morte de mais de 16 toneladas de pescado na área da usina Belo Monte. A suspeita é que as mortes tenham sido provocadas por alterações na qualidade da água. A Norte Energia foi multada em mais de R$ 35 milhões.

Biológos estiveram na área em que os peixes mortos foram encontrados. “A água que alimentou o reservatório intermediário (da usina) veio carregada de muita matéria orgânica. A gente acredita que (a mortandade) pode estar relacionada com a falta de oxigênio na água”, explica a bióloga Cristiane Carneiro.

“O fato é que a gente espera que essa mortandade venha a crescer com a entrada em funcionamento de mais turbinas (da usina) e a preocupação é imensa”, afirma Rodolfo Salm, professor de ecologia da UFPA.

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