f_passageiros onibus (1)O acordo firmado entre a Prefeitura e as empresas de transporte público ainda não tem prazo para ser cumprido. Na reunião realizada em fevereiro com o prefeito, secretários, empresários, conselho de transporte e estudantes, ficou acertado que a passagem de ônibus subiria de R$2,50 para R$2,80 mediante o cumprimento de melhorias por parte das companhias prestadoras do serviço.

Passados dois meses, porém, ainda não é possível ver qualquer mudança que indique melhorias no serviço. De acordo com o coordenador de transporte público do DMTU, Rogério Matias, os avanços nas propostas apresentadas pelas empresas ficaram só no discurso.

Entre as principais reclamações dos usuários está a demora na troca de turno, uma vez que tudo é realizado com os passageiros dentro do coletivo e em horário de pico. Para isso, Rogério conta que é preciso mexer no quadro de horários e que a empresa já trouxe um técnico para executar essa mudança.

“A elaboração de um quadro de horários ou a contratação de um serviço mais moderno para regular os horários, com georreferenciamento da forta, poderia resolver o problema. As empresas, inclusive, já sinalizaram que podem contratar esse serviço”, afirmou Rogério, cobrando uma posição das empresas quanto às adequações requeridas.

“Querem o reajuste, ou pelo menos a mínima reposição da inflação. A prefeitura já sinalizou que dará a reposição, mas nós queremos a contrapartida. Vamos ver o que o grupo diz quanto à frota e o quadro de horários”, concluiu.

Questionado sobre a visível redução de carros nos feriados e fins de semana, Rogério disse que isso é algo que acontece em vários lugares, uma vez que não dá para manter os mesmos custos para atender a uma pequena demanda. Mas ele afirma que a ideia é sempre oferecer mais carros em horários diversos.

Prazo

De acordo com Rogério, não há como fazer uma previsão do cumprimento destas medidas, porque depende da empresa que está sendo cobrada. Ele ainda disse que se as melhorias tivessem sido aplicadas, o aumento possivelmente já estaria valendo. O coordenador falou ainda na reparação do sistema dos carros coletivos.

“Porque nesse sistema nós temos que olhar para todos os lados, tem uma concorrência grande dos outros meios de transporte com o transporte coletivo. A gente tem que ficar isento e tentar olhar essa coisa de uma maneira social, e levar em conta também os critérios técnicos. A preocupação não é com a empresa A ou B, mas com o sistema coletivo, que precisa ser mantido. Não dá pra fazer um paliativo; todo ano a gente vê o que tem que fazer para salvar o sistema. Mas o que deve ser feito mesmo é implementar medidas que restaure o sistema de vez”, afirmou.

Paradas de ônibus

Enquanto uma solução definitiva para o problema se arrasta, a população padece nas paradas de ônibus. Muitos permanecem por horas esperando a condução, ficando a mercê das intempéries e até de criminosos. É o caso de Maria Pereira Lopes, que mora em São Félix. Ela reclamou da falta de ônibus e da superlotação.

“Às vezes, a gente fica duas horas esperando o ônibus para poder voltar para casa e quando a gente consegue a condução, ela está lotada. Então tem que ir em pé”, afirmou. Para ela a solução seria uma frota maior de carros, além da melhora na qualidade dos automóveis. “A gente vem em alguns que quebram e eu chego atrasada no serviço. Sem falar que minhas amigas já foram assaltadas várias vezes nas paradas”, relatou.

Osvaldina Lima Soares se adiantou e foi correndo para a parada com medo de não conseguir condução. “Eu moro em Morada Nova e não tenho carro, nem moto. Eu preciso do ônibus para ir e voltar do trabalho, mas sempre lotado”, relatou. Ela também disse que as condições são desumanas, uma vez que as pessoas caem sobre as outras por falta de espaço, lembrando que o serviço não é gratuito, portanto precisa ser de qualidade.

Outro usuário, João Manoel da Silva disse que “morre de medo” de ficar sozinho no ponto de ônibus. “Além de segurança, que o usuário nãom tem, faltam mais ônibus circulando à noite”, finalizou.

A reportagem tentou reiteradas vezes ouvir via celular, o empresário João Martins da TCA, uma das duas empresas concessionárias do serviço de transporte público em Marabá, mas ninguém atendeu a ligação nem retornou as chamadas. (Nathália Viegas/ Correio Tocantins)

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