Após denúncias de falta de doses da vacina contra  vírus H1N1 na rede privada do Pará e do anúncio de pelos menos três mortes causadas pelo vírus, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) anunciou a antecipação do início da campanha de vacinação contra a doença no Estado para a próxima segunda-feira, 18 de abril.

Segundo a Sespa, metade das 1,8 milhão de doses da vacina já foram entregues em 83 municípios e cada cidade têm autonomia para antecipar o início da campanha, prevista inicialmente para o período de 30 de abril a 20 de maio. O restante do material será pelo Estado aos municípios a partir da próxima semana.

Belém

Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), confirmou que a distribuição da vacina na capital iniciará na próxima segunda-feira (18) devido a incidência de casos, a ocorrência de óbitos e a forte virulência viral, ou seja, o aumento da capacidade infectante do vírus.

Somente em 2016, até 11 de abril, a Sesma notificou 66 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 14 confirmados para influenza A/H1N1. Três pessoas morreram por conta da doença.

A 18ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza será realizada de 18 de abril a 20 de maio de 2016, sendo 30 de abril (sábado) o dia de mobilização nacional. A meta é vacinar 312.802 pessoas no município, dentro dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, dos quais, o maior grupo a ser imunizado é o de idosos (131.517), seguido de crianças de seis meses a menores de cinco anos (92.333), pessoas com doenças crônicas (46.913), trabalhadores da saúde (21.451), gestantes (16.137), puérperas até 45 dias após o parto (2.653) e população privada de liberdade (1.798).

As vacinas estarão disponíveis em 43 postos fixos durante toda a campanha, em Belém, no horário de 8h às 17h. “Estamos trabalhando intensamente para que consigamos vacinar o máximo das pessoas contempladas nos grupos prioritários, com estratégias de vacinação em abrigos, clubes da melhor idade, estabelecimentos de saúde e vacinação fluvial para imunização da população ribeirinha”, destaca Sérgio Figueiredo, secretário municipal de saúde de Belém.

Em 2016, a vacina imunizará contra os vírus Influenza A/ H1N1, Influenza A/H3N2 e Influenza B, que são os tipos mais circulantes no mundo e que foram coletados e inativados para a produção da vacina.

Doença

O H1N1 é uma recombinação entre o vírus humano e o suíno que circula no mundo todo. O avanço recente no número de casos registrados no Brasil se dá pelo aumento de virolência, ou seja, o vírus ficou mais agressivo, com ação mais danosa. “Para combatê-lo não basta só vacinar, é preciso mudar os hábitos também. Não são os sintomas que matam, e sim as complicações, como pneumonia, insuficiência respiratória aguda e pouca oxigenação do cérebro, a chamada hipoxia”, explica a infectologista e professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa) Consuelo Oliveira.

A confirmação do diagnóstico é feita após análise da secreção do paciente nos primeiros dias. No Pará, dois lugares estão aptos para fazer os exames: o Instituto Evandro Chagas e o Laboratório Central (Lacen), porém não são todos os casos que são submetidos à análise. “Os exames só são feitos em casos graves, quando a secretaria é acionada pelas unidades se saúde”, adverte Consuelo Oliveira.

Sintomas

Os sintomas, muitas vezes, são semelhantes aos do resfriado, que se caracterizam pelo comprometimento das vias aéreas superiores, desconforto respiratório, com congestão nasal, tosse, rouquidão, febre variável, mal-estar, dores no corpo e dor de cabeça.

“A maioria das pessoas infectadas se recupera dentro de uma a duas semanas sem a necessidade de tratamento médico. No entanto, nas crianças muito pequenas, idosos e portadores de quadros clínicos especiais, a infecção pode levar a formas clinicamente graves, pneumonia e óbito. Por isso, o município está vigilante e orientando os estabelecimentos de saúde para a notificação de casos suspeitos internados, que é obrigatória”, explica Leila.

Nos casos de suspeitos de gripe, quando os sintomas se tornarem mais intensos, a recomendação é procurar as unidades de urgência e emergência para avaliação médica e, caso necessário, iniciar o tratamento com o antiviral Fosfato de Osetalmivir (Tamiflu), disponibilizado pelo Ministério da Saúde, para inibir a evolução da doença.

Tanto para a gripe quanto para o resfriado, o tratamento é feito com repouso, hidratação e remédios recomendados pelo médico. “A etiqueta respiratória também é importante. Sempre proteja a boca e o nariz ao tossir e espirrar, lave sempre as mãos e evite locais com grande número de pessoas para não facilitar a propagação de doenças”, orienta Leila.

Em casos de ocorrência de qualquer reação após a aplicação da vacina, a Sesma disponibiliza os telefones 3344-2459 /98417-0332 da Coordenação do Programa Municipal de Imunizações para registro e investigação dos casos.

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