Os agricultores que interditam há três dias a rodovia Transamazônica/BR-230, no sudoeste do estado, decidiram manter o bloqueio após uma assembleia realizada na tarde desta terça-feira (19), quando foram discutidos os rumos do protesto. Os manifestantes dizem que só sairão do local se o Governo Federal responder a pauta de reivindicação que cobra regularização fundiária, crédito e melhorias para agricultura familiar em 10 municípios da região do Xingu, como a extensão do projeto “Luz para Todos”. O protesto impede a entrada de funcionários nos canteiros de Belo Monte, onde as obras estão sendo prejudicadas.

Durante esta tarde, os agricultores também fizeram homenagens às três pessoas atropeladas na noite da última segunda-feira (18), no km 55 da rodovia federal, próximo às obras da hidrelétrica. O motorista de um carro de passeio que estava na rodovia avançou sobre os manifestantes e atingiu Leidiane Drosdoski Machado, de 27 anos, que morreu na hora, e Daniel Vilanova Dias, de 41 anos, que chegou a ser levado para o Hospital Municipal de Altamira, mas não resistiu aos ferimentos. Um adolescente de 13 anos que vendia picolés no local ficou gravemente ferido e está internado, mas não corre risco de morrer.

Segundo os agricultores, depois de atropelar as três pessoas, o motorista ainda teria feito ameaças com uma arma. Logo em seguida, o suspeito também teria incendiado o carro e fugido na garupa de uma moto. Na manhã desta terça, as ferragens do carro incendiado teriam desaparecido local.

No momento do atropelamento, o tráfego de veículos no trecho estava liberado em metade da pista. Um agricultor que escapou de ser atingido conta que o motorista avançou em alta velocidade sobre os manifestantes que estavam sentados à margem da rodovia. As lideranças do protesto estão indignadas e afirmam que o crime teria sido planejado. “A pessoa acelerou e partiu pra cima. Ele fugiu, foram atrás dele de moto”, conta o agricultor Deilson Fernandes.

A Superintendência Regional da Polícia Civil, que comanda as investigações do caso, já ouviu as testemunhas do crime e ainda tenta identificar e prender o autor do atropelamento. O Instituto Médico Legal (IML) informou que os corpos das vítimas já foram liberados para as famílias.

Negociação

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na tarde do domingo (17) o grupo já havia bloqueado pela primeira vez a entrada do km 27, da BR-230, impedindo o acesso ao Sítio Pimental. Na madrugada de segunda, o bloqueio foi realizado nos três principais acessos do canteiro de obras da usina, os sítios Pimental, Canais e Diques e Belo Monte.

Tendas foram armadas e os agricultores ficaram distribuídos no km 27, bloqueando o acesso ao Sítio Canais e Diques e Pimental; km 40 que leva ao Sítio Belo Monte; e km, por onde se chega também ao Sítio Pimental e à vila residencial, onde moram 7.200 pessoas.

Um ônibus que transportava operários para as obras da Usina foi incendiado na madrugada desta terça, em uma vicinal que fica próxima ao local do protesto, mas não se sabe quem teria causado o incêndio.

Pela manhã, oficiais de justiça foram ao local entregar um mandado de reintegração de posse para a liberação do trecho interditado, mas o manifestantes não assinaram o documento. Representantes da Casa de Governo, da Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e Polícia Militar também tentaram negociar a saída, mas não houve acordo.

Obras prejudicadas

De acordo com o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pela construção civil da usina, a produção está prejudicada desde segunda-feira em razão de bloqueios em diferentes vias de acesso aos canteiros de obras. O CCBM informou que mantém os serviços essenciais em operação e está tomando todas as ações cabíveis no âmbito jurídico-administrativo.

Já a Norte Energia S.A, empresa responsável pela construção e operação da UHE Belo Monte, afirmou, em nota, que a pauta dos manifestantes que não está vinculada ao empreendimento e, para chamar a atenção das autoridades, os manifestantes estão utilizando o impedimento aos canteiros da obra. A empresa reforçou ainda que não se envolverá em negociações como a desintrusão de terras e outros programas e projetos governamentais.

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