Com 44 escolas rurais e 23 turmas de extensão que ofertam o Ensino Médio em comunidades camponesas, o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação, planeja a implementação da educação do campo nessas escolas. Enquanto as escolas rurais trabalham com o ensino regular, a modalidade escola do campo insere os temas ligados ao dia a dia dos alunos nas aulas.

Atualmente, o Estado conta com apenas três escolas do campo em funcionamento, como registrou o secretário da Educação, Adão Francisco de Oliveira. “São duas escolas famílias agrícolas e uma escola agrícola. É preciso potencializar essa experiência, para que o sujeito receba de fato uma orientação, uma formação que seja adequada para o ambiente rural em que ele está inserido”, explicou.

As ações para a educação do campo encontram-se em processo de reestruturação, assim como a equipe de trabalho. Também está sendo fortalecido o intercâmbio com as universidades, os movimentos sociais do campo e as instituições que têm trabalhos voltados a essa temática.

O objetivo, segundo o gestor, é retomar as discussões e implantar um currículo diferenciado e direcionado às escolas do campo, assim como promover a formação continuada de gestores, coordenadores e professores que atuam nestas unidades de ensino. Da mesma forma, busca-se discutir com os movimentos sociais a respeito da construção de novas escolas.

As escolas rurais tocantinenses atendem a cerca de 8 mil alunos, que serão beneficiados pela expansão do ensino direcionado à população do campo. “Vamos atender às comunidades quilombolas, camponesas, ribeirinhas e extrativistas, respeitando as especificidades de cada uma delas”, ressaltou o secretário, ao apontar que o currículo escolar deve ser adequado ao ambiente rural em que o estudante está inserido.

Resultados

Com a redefinição do currículo escolar para o conceito de educação do campo, a grade será contemplada com aulas sobre produção agrícola e ensinam, na prática, como funciona o sistema de cultivo. Assim, são repassadas informações e conhecimentos que contribuem com a melhoria da produtividade na propriedade familiar e com a qualidade de vida, não apenas dos alunos, mas de toda a sua família. “Esse é o modelo de alternância, em que o aluno aprende com os conteúdos ministrados em sala de aula e com as experiências propostas para serem executadas com a família”, ressaltou Adão Francisco.

Com o objetivo de construir uma Política Estadual de Educação do Campo, o Governo, movimentos sociais e educadores se reuniram no início da gestão, no Seminário de Educação do Campo, que resultou em um grupo de trabalho responsável pela construção da proposta política-pedagógica para o Estado e que também irá analisar a situação de cada escola, verificar os convênios, recursos e a possibilidade de continuar com os projetos de cada uma delas.

Projovem Campo

O programa Projovem Campo – Saberes da Terra, que conta com currículo diferenciado, respeitando as características, necessidades e pluralidade de gênero, étnico-racial, cultural, gerencial, política, econômica, territorial e produtiva dos povos do campo, foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) e é gerenciado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação, oferecendo qualificação profissional e escolarização aos jovens agricultores familiares de 18 a 29 anos que não concluíram o ensino fundamental.

No Tocantins, o programa atende a 800 alunos, em 19 municípios, com atividades realizadas em escolas estaduais e em escolas municipais cedidas pelas prefeituras, com carga horária de 180 horas tempo-escola e 600 horas tempo-comunidade.

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