Integrantes do Movimento Sem-Teto continuam ocupando nesta terça-feira (19) uma área destinada à instalação do projeto Aços Laminados do Pará (Alpa), em Marabá, no sudeste do Pará. A mineradora Vale informou que ingressou nesta segunda (18) com ação de reintegração de posse e aguarda o prazo de 48 horas para o procedimento de desocupação do imóvel e acionou a polícia para apuração da invasão, considerada violenta e clandestina pela empresa. Apesar da ordem da Justiça para que as famílias desocupem a área, as lideranças do Movimento Sem-Teto afirmam que ninguém vai sair do local.

“Pode vir liminar, porque nós vamos criar também a nossa associação, nós vamos ter um advogado aqui. Nós queremos o nosso direito de resposta”, disse Elivaldo Barbosa, representante do movimento.

A ocupação começou por volta das 5h do último domingo (17), quando cerca de 300 famílias chegaram e lotearam toda a área, de aproximadamente mil hectares. O número de manifestantes que participam do protesto já chega a três mil.

No local, placas com os nomes dos ocupantes já delimitam os lotes. “Meu genro tirou três lotes: um lote para mim, um para ele e um para o irmão dele”, conta o desempregado Domingos Santos.

Muitos dos ocupantes queimaram a vegetação para limpar o terreno, e nem a área de preservação ambiental, próxima ao rio Tocantins e que estava em processo de recuperação, foi poupada da ação dos sem-teto.

Projeto
Há aproximadamente seis anos, o Governo Federal, o Governo do Estado e a Vale anunciaram a implantação do projeto Aços Laminados do Pará (Alpa), com investimentos de aproximadamente R$ 5 bilhões. Mas, segundo a mineradora, o projeto está suspenso devido à falta de solução com relação à Hidrovia Araguaia-Tocantins, fundamental para a implantação do empreendimento. Desde o início, a obra estava prevista como corredor logístico para recebimento do insumo e escoamento da produção da Alpa. A Vale afirma ainda que 85% das obras do projeto foram concluídas e que vem cumprindo as condicionantes socioambientais, com investimentos nas áreas de educação, saúde, saneamento básico, entre outros.

O desempregado Jacleudo da Silva se deslocou do estado do Maranhão com intenção de trabalhar no projeto. Ele diz que os investimentos prometidos não chegaram. “Nós já temos quase quatro anos aqui nessa terraplanagem. A situação que a gente vê é que dizem que levaram a Alpa para outro estado. A população se reuniu e quis entrar para poder desapropriar e fazer suas casas”, contou Jacleudo.

O advogado que representa os Sem-Teto informou que irá tentar cassar a liminar de reintegração de posse. “É uma área que foi desapropriada com objetivo único: de implantação do projeto Aços Laminados do Pará. A previsão é que lá tenha um público em torno de 20 mil famílias”, explica o advogado Marden Novais.

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