Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), mostram que Sampaio e Xambioá estão entre os dez municípios do Tocantins, com maior incidência de casos de leishmaniose visceral ou calazar, como é popularmente conhecida.

Em 2014, foram 7 casos da doença em Sampaio e 4 em Xambioá. No Tocantins, os registros de casos novos da doença estão diminuindo. Em 2012, 337 casos de leishmaniose visceral foram registrados em todo o Estado; no ano seguinte, foram 263 casos novos notificados. Em 2014, ao todo, foram registrados outros 164 casos novos, sendo que os municípios com maior número de notificações de casos foram Araguaína (51), Gurupi (12), Palmas (9), Colinas do Tocantins (8), Sampaio (7), Miracema do Tocantins (5), Paraíso do Tocantins (5), Tocantínia (5), Xambioá (4), Dianópolis (4) e Pau D’arco (4).

Neste ano, de janeiro a abril, foram registrados 35 novos casos do agravo em todo o Estado. Apesar da diminuição em 52% nos casos novos registrados no Tocantins entre 2012 e 2014, técnicos da SESAU alertam para a importância da prevenção da doença, que se não tratada precocemente pode levar à morte.

Prevenção

O acondicionamento correto do lixo e a manutenção da limpeza de quintais e lotes baldios não contribuem apenas para evitar a reprodução do mosquito transmissor da dengue, outro agravo que também depende de limpeza e da colaboração da população para prevenir a reprodução do seu vetor é a leishmaniose visceral ou calazar, como é mais conhecida.

A doença afeta órgãos viscerais, como baço e fígado, e é transmitida pela picada do mosquito palha, que deposita seus ovos em matéria orgânica em decomposição. Folhas, galhadas, lixo orgânico e fezes de animais são alguns dos ambientes ideais para a reprodução do mosquito palha.

O biólogo responsável pela Área Técnica das Leishmanioses, Julio Gomes Bigeli, explica que o ciclo de transmissão da leishmaniose tem o mosquito flebotomíneo, mais conhecido como mosquito palha, como vetor e o cachorro como reservatório do protozoário causador da doença. “A fêmea do mosquito precisa picar um cão infectado e depois uma pessoa para que a transmissão ocorra. Os primeiros sinais da doença aparecem entre dois e seis meses após a picada”, acrescenta.

Para evitar o vetor, é importante manter a casa e os quintais limpos. “O mosquito palha vive em lugares úmidos, escuros e com acúmulo de material orgânico e ataca nas primeiras horas do dia ou ao entardecer”, explica a diretora de Vigilância Epidemiológica das Doenças Vetoriais e Zoonoses, Mary Ruth Glória.

Sintomas e tratamento

Em humanos, o diagnóstico e tratamento são gratuitos e oferecidos na rede pública de saúde. Ao aparecimento dos primeiros sinais, a recomendação é procurar a unidade de saúde mais próxima de casa para solicitar uma consulta médica e a realização dos exames necessários. Os sintomas do calazar são febre prolongada, fraqueza, perda de apetite, palidez, aumento do baço ou fígado e sangramentos na boca e intestinos.

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