Livre da febre aftosa com vacinação desde 2014, o Pará vem abrindo mercados e ganhando divisas com mais exportação da pecuária. Para manter esse cenário de crescimento, o Estado procura manter a segurança do rebanho bovino e se prepara para fazer o primeiro Inquérito Epidemiológico de Prevalência de Brucelose e Tuberculose Animal. O objetivo do estudo é levantar a incidência e prevalência dessas duas doenças no rebanho paraense. Um dos passos mais importantes será dado nessa quarta-feira (18), com o Treinamento Técnico para a Execução das Ações do Estudo Soroepidemiológico da Incidência e Prevalência da Brucelose e Tuberculose Animal, no auditório da Superintendência Federal de Agricultura no Pará.

Organizado pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), o treinamento será ministrado pelo professor José Soares Ferreira Neto, vice-diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia e consultor técnico do Ministério da Agricultura. Ao todo, são esperados 40 técnicos da agência de todo o Estado.

Segundo o gerente do Programa de Erradicação e Controle da Brucelose e Tuberculose animal da Adepará, Augusto Peralta, a busca do Estado para controlar as zoonoses tem como objetivo beneficiar a população e a economia. “Assim como existe a exigência dos mercados externos de que os exportadores de carne e de bois vivos sejam livres de febre aftosa, em pouco tempo haverá exigência semelhante quanto à brucelose e tuberculose. O Pará dá um passo enorme nesse sentido ao organizar o inquérito, essencial para dimensionar a nossa situação e saber como agir para garantir a sanidade do rebanho bovídeo”.

A brucelose e a tuberculose bovina acarretam prejuízos, já que diminuem a produtividade, e são zoonoses – transmissíveis dos animais para o homem. O diretor geral da Adepará, Luciano Guedes, ressalta que um dos pilares da agência é trabalhar com prevenção. “Temos servidores em todo o Estado trabalhando em várias frentes. A questão da brucelose e da tuberculose é de suma importância para a segurança alimentar do paraense. Como nossa produção cresce muito a cada ano e nosso excedente é enorme, temos que seguir os parâmetros internacionais para garantir as exportações”.

De um a dois treinamentos como esse ainda devem ser organizados pela Adepará e pelo Ministério da Agricultura até o fim do ano para atender aos demais veterinários e técnicos da agência. “Estamos em período de vacinação contra a febre aftosa em todo o Estado (de 1º a 31 de maio) e muitos não poderão vir. Estamos verificando a possibilidade de mais treinamentos como esse, mas no interior, para que todos tenham essa oportunidade”, explica o gerente de Defesa Animal da Adepará, Gláucio Galindo.

Mapeamento

O inquérito seguirá os critérios estabelecidos no Regulamento Técnico do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal. O número de propriedades e de animais amostrados deu-se por sorteio, de forma aleatória, de acordo com parâmetros estatísticos e epidemiológicos da Adepará, sob a orientação da Universidade de São Paulo (USP) e Ministério da Agricultura, sendo compulsória a participação dos produtores sorteados.

Os animais que reagirem positivamente aos exames de brucelose e ao teste de tuberculose serão identificados e sacrificados. Os exames de brucelose serão feitos pelo Laboratório Nacional Agropecuário no Pará e ministério, e os testes de tuberculose, pelos veterinários da Adepará. O inquérito começa no fim desse mês, primeiramente nos municípios de Faro e Terra Santa, que já passaram pela etapa de vacinação contra a aftosa. Posteriormente, ele prossegue para o restante do Estado, até novembro. (Tylon Maués)

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