O número de casos de leishmaniose em Redenção, no sudeste do Pará, aumentaram em 55%, segundo relatório da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa). Os dados comparam o período de 2010 a 2012, quando 8 casos foram registrados, com os anos de 2013 a 2015, que já acumula 445 pessoas foram diagnosticadas com a doença, transmitida por um mosquito que se alimenta de sangue. Ainda de acordo com o balanço, sete pessoas morreram no município vítimas da leishmaniose, também conhecida como calazar.

Rafael, de apenas dois anos, ficou quase um mês hospitalizado, fazendo tratamento contra a leishmaniose. “Começou com febre muito alta, fizeram exame e deu calazar”, lembra a mãe da criança, Julivânia Oliveira, dona de casa.

Em uma clínica veterinária da cidade, dentre 10 exames feitos em cães, 8 dão positivo. “Na cidade inteira tem bastante cão abandonado e a maioria dos resgatados que trazem aqui para a gente tem calazar”, afirmou a médica veterinária Maysa Chagas.

A doença é transmitida por mosquitos que se alimentam de sangue. Os principais sintomas são febre regular prolongada, anemia, indisposição, palidez da pele e das mucosas, perda de apetite e de peso, e inchaço do abdômen. Para controlar a doença é preciso sacrificar os cães infectados e eliminar o mosquito transmissor.

“Quando a população vê um cão desse em risco iminente da doença, entre em contato com a unidade de zoonoses, que vai lá e recolhe esse animal, faz o teste e entra em contato para o pessoal poder autorizar, se der positivo, a eutanásia do cão”, alertou o secretário de saúde de Redenção, Vaudiná Nunes.

“O controle e o combate do calazar começa com a erradicação do mosquito vetor da leishmaniose. Se não existe o mosquito, não existe a doença”, explica Camila Oliveira, da Vigilância em Saúde do município.

É possível ver diversos animais circulando pela cidade, magros, sem pelo e cheios de feridas. “Se a fiscalização tivesse vindo, já tinham dado um jeito de recolher ou falado com os donos para dar um jeito”, reclama o agricultor Reginaldo Nascimento. “Meu neto já pegou calazar, então a gente só queria fazer um apelo que viessem aqui e fizessem alguma coisa por nós”, pede Deusirene Oliveira, dona de casa.

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