As florestas de Babaçu, no Vale do Tocantins, são um ambiente de transição entre o cerrado e a Amazônia brasileira. Uma relíquia natural cheia de vida e riquezas. A conservação desses palmeirais em Cidelândia, no sudoeste maranhense, se tornou essencial tanto para a manutenção do ecossistema como para a conservação do modo de vida das populações tradicionais da região.

As quebradeiras de coco como dona Maria de Fátima, mãe de dez filhos, aproveitam bem toda a generosidade dos babaçuais. “Nunca um filho meu sofreu dizendo ‘mãe hoje eu tô passando fome, hoje não tem uma roupa para eu vestir, um calçado’”, disse Maria de Fátima Ribeiro.

Os palmeirais de Ciriaco estiveram durante anos no centro de uma disputa e muitos conflitos entre extrativistas e fazendeiros que reivindicavam a posse da terra. A solução foi encontrada há 23 anos: uma área com oito mil hectares do bioma amazônico foi declarada pelo Governo Federal unidade de conservação comum dos extrativistas.

As florestas de babaçu eram um território proibido para os extrativistas de ciriaco. A criação da reserva deu para as quebradeiras liberdade nas matas.

A lida nos babaçuais garante a Dona Maria Helena Gomes uma fonte de renda todo dia e ficou bem mais fácil alimentar a família. “Toda reserva, tudo melhorou. Todo mundo tem seu pedacinho para plantar seu feijão para comer”, disse.

O Maranhão é o maior produtor de coco babaçu do país. O estado é responsável por 90% da safra. Em Ciriaco, 186 famílias extrativistas vivem e trabalham no babaçual. Dona Maria Faustina aproveita as amêndoas tanto na fabricação de leite como na produção de carvão. Elas também fornecem amêndoas para indústrias de óleo da região.

A luta pela valorização da amêndoa é antiga na reserva. Um sonho que alimenta as esperanças da quebradeira de coco. “Espero que melhore o valor dele e que a nova geração não desista e deixe essa tradição se perder. Hoje a nova geração não quer quebrar coco. E que ele tenha o valor que merece”, Maria Faustina dos Santos, quebradeira de coco.

Conquistar um valor justo para o babaçu é um desafio tão grande quanto a defesa desse imenso patrimônio natural.“Nosso principal objetivo é preservar essa área não derrubando, não colocando fogo e preservando a área, pois é uma cultura do povo, dos nossos ancestrais”, disse Antônio dos Santos, coordenador da associação das quebradeiras da Resex Ciriaco.

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