A penicilina é utilizada no tratamento da sífilis, uma doença infecciosa sexualmente transmissível causada por uma bactéria que pode atingir a pele, ossos e até o sistema nervoso central. Ela também pode ser transmitida durante a gestação ou no parto, neste caso, chamada de sífilis congênita. O problema é que, segundo a secretaria de saúde, o estado não consegue comprar o medicamento, e a falta do remédio preocupa médicos e pacientes no estado.

No ano de 2014, cerca de 1.279 gestantes se infectaram com a doença e 733 bebês foram contaminados no Pará. Os dados representam um aumento no número de casos com relação a 2013 nos dois grupos, de 14% (1.106 gestantes infectadas) e 19% (601 crianças contaminadas).

Para tratar os doentes, o melhor remédio é a penicilina, mas o medicamento está em falta. Em duas grandes redes de farmácias da capital paraense não há o medicamento no estoque.

Até na Santa Casa de Misericórdia do Pará, referência no tratamento da sífilis, a penicilina está em falta. No local, restam apenas algumas caixas de uso adulto e que só devem durar até o mês de setembro. A penicilina de uso infantil está em falta há três meses e não há previsão de novas compras.

“A partir do último pregão que nós fizemos, nós percebemos que a penicilina foi item ‘deserto’, ou seja, os fornecedores não se candidatam a fornecer justamente por conta da falta de matéria prima”, explica Cinthia Pires, diretora técnica da Santa Casa.
A solução para os pacientes seria o uso de medicamentos alternativos como cefepima para recém nascidos e ceftriaxona  para adultos.

“Não tem estudo que mostre a eficácia do tratamento do cefepima em relação ao treponema pallidum, que é a causa da sífilis. Então nós só vamos ver o impacto há alguns anos quando fizer algum estudo”, afirma Salma Sarrati, pediatra neonatologista.

A Secretaria de Saúde do Pará confirmou a falta de penicilina nos estado. O problema é em todo Brasil, como mostrou uma reportagem do programa Fantástico no último domingo (21). A razão seria a carência de matéria prima para fazer o medicamento.

Para a Sociedade Paraense de Infectologia, o tratamento alternativo está longe de ser ideal. “Pelas regras do Ministério da Saúde, a sífilis é tratada com penicilina. Se não for tratada com penicilina, considera não tratada ou tratada de forma inadequada. Então o gestante, por exemplo, em que a gente tem que utilizar outra medicação que não é a penicilina, a gente considera que 100% das crianças nascidas das mães que não fazem penicilina e têm sífilis, são consideradas como terem sífilis congênita”, afirma Helena Brigido, da sociedade paraense de infectologia.

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