Com a observação de que é preciso desfazer de uma vez por todas o enigma que envolve o projeto de derrocamento do Pedral do Lourenço, num trecho de 43Km do rio Tocantins, entre Marabá e Tucuruí, o senador Jader Barbalho apresentou na sexta-feira, dia 28 de maio, ao governo federal uma proposta capaz de retirar finalmente da inércia o empreendimento e agilizar a sua execução.

Por meio de ofício endereçado ao ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, com cópias também para a presidente Dilma Rousseff e para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, Jader sugeriu a retomada, em regime de urgência, do projeto elaborado entre 2008 e 2009 pela Faculdade de Engenharia Naval da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O estudo foi conduzido, na época, por uma equipe coordenada pelo professor Hito Braga de Moraes, fundador do curso e até hoje diretor da Faculdade de Engenharia Naval, instituição que já recebeu do MEC a melhor conceituação de sua área em todo o Brasil.

Pelo projeto da UFPA, então orçado em R$ 520 milhões, o canal de navegação, uma vez executadas as obras de derrocamento, teria a largura de 70 metros. O volume de derrocamento subaquático foi projetado em cerca de 715 mil metros cúbicos de rochas.

Aprovado o projeto pelo DNit e aberto o processo licitatório para execução das obras em 2010, tudo voltou à estaca zero no ano seguinte. Em 2011, o governo declarou a inidoneidade da empresa vencedora – a Construtora Triunfo – e simplesmente cancelou a licitação. O assunto voltou à tona em 2012, quando novo estudo foi contratado pela Vale junto a uma empresa privada.

Insatisfeito com o resultado, o DNit contratou a Universidade Federal do Paraná para fazer uma readequação do projeto. Neste novo arranjo de engenharia, a largura do canal foi mais do que duplicada, passando de 70 para 145 metros, e o volume de derrocamento subaquático aumentou para quase 1,2 milhão de metros cúbicos. Os impactos ambientais, neste caso, seriam incomparavelmente maiores.

Ao relembrar ontem esses fatos, no ofício endereçado ao Ministério dos Transportes, o senador Jader Barbalho lamentou o “roteiro tortuoso” seguido até aqui pelo projeto de derrocamento.

Enfatizou que, desde que o governo se dispôs a executar a obra, lastreando compromissos assumidos publicamente pelo ex-presidente Lula e reafirmados pela presidente Dilma Rousseff, já se passaram sete anos. “É muito tempo e são recursos demais despendidos com estudos e projetos que já envolvem duas universidades federais, empresa privada contratada pela Vale e a interveniência da Marinha do Brasil, além de três tentativas inúteis de contratação da obra, por abortamento ou fracasso dos processos licitatórios”, acentuou.

Transmitindo, pelo teor da linguagem, sua inequívoca disposição de buscar uma saída para o impasse, Jader Barbalho ressaltou que o governo tem a obrigação de dar um basta a essa situação. O Estado do Pará, completou Jader Barbalho, “não pode esperar mais e muito menos vai abrir mão de projetos estruturantes aos quais estão condicionados o seu desenvolvimento econômico e a elevação dos seus indicadores sociais, hoje deploráveis”.

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