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A Polícia Civil desarticulou uma organização criminosa especializada em furtos com arrombamentos de caixas eletrônicos e cofres de bancos no interior do Pará. Ao todo, foram presos 13 envolvidos nos crimes, e um dos acusados morreu em confronto com os policiais civis. As prisões ocorreram na sexta-feira (5), em Belém, Castanhal, Salinópolis e Barcarena, durante a operação “Maçarico”, coordenada pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), com apoio das superintendências da Polícia Civil em Castanhal, Abaetetuba e Capanema e de policiais do Grupo de Pronto-Emprego (GPE). Entre os presos estão três policiais militares acusados de darem apoio ao grupo criminoso.

A apresentação dos resultados da operação foi feita na Delegacia Geral, em Belém, neste sábado (6). Objetos usados nos crimes, como maçarico e botijão de gás e ainda uma arma de fogo, foram apreendidos na operação. As investigações mostraram que, para praticar os arrombamentos, a organização contava com integrantes de outros Estados, como Piauí, Maranhão e Rio de Janeiro. Entre os criminosos está César Augusto do Nascimento Melo, o “Cesinha” ou “Bocão”, que morreu ao trocar tiros com os policiais na zona rural de Bragança. Ele já havia sido preso anteriormente, no Pará, Maranhão e Piauí, por envolvimento em assaltos a bancos, por meio do arrombamento de caixas eletrônicos. O acusado atualmente estava em liberdade.

Para obter os mandados judiciais, a equipe da DRCO apurou, durante inquérito, que a organização criminosa atua no Pará há quase dez anos, e que pratica não só arrombamentos de caixas eletrônicos, mas também roubos do tipo “sapatinho” e “saidinha bancária”, assaltos a residências e tráfico de drogas. Eles foram identificados como os responsáveis por estourar quatro caixas eletrônicos, com uso de maçaricos, nas cidades de Castanhal, Salinópolis, Barcarena e Mãe do Rio, neste ano.

Com base nas investigações, foram decretados os mandados de prisão preventiva e temporária dos acusados e ainda os mandados de busca e apreensão nas casas dos envolvidos. O promotor de Justiça Milton Menezes, presente na apresentação na Delegacia Geral, destacou que todas as medicas cautelares solicitadas pela Polícia Civil tiveram apoio do Ministério Público do Estado para serem decretadas.

Quadrilha

Foram presos em Belém, com mandados de prisão preventiva, José Ribamar Brito da Silva, o “Zezinho”; Helbert Dion Lima Brasil, também conhecido como Otoniel Silva Costa ou Helton, o “Peixeirinha”; Josimar dos Santos Trindade; Márcio André Pinheiro Azevedo, de apelidos “Márcio Testa” ou “Pretinho”; Josué Penha de Oliveira, o “Juca”; Josué Ferreira Saraiva, ou “Jhow”,e Estêvão Heitor Duarte Pinheiro. Em Bragança, foi preso Charles Ramon Santana Barbosa, conhecido como “Ball”. Outro preso é José de Ribamar Corrêa de Sousa, o “Riba”, localizado em Castanhal. Na casa dele, uma arma e objetos usados nos crimes foram apreendidos.

Foram presos, com mandado de prisão temporária, o empresário José de Souza Sampaio Filho, o “Fofão”, em Belém; os cabos PM Alcemir da Silva Oliveira, em Barcarena, e Ivanildo Cruz da Costa, em Salinópolis; e o soldado PM Kledenilson Luiz Soares de Sousa, preso em Salinópolis. Também foi preso o bombeiro civil João Carlos Duarte Pinheiro, em Castanhal. Os policiais militares estão recolhidos no presídio Coronel Anastácio das Neves, em Santa Isabel do Pará. Os demais foram transferidos para unidades do sistema penitenciário na Grande Belém. Outro acusado, o soldado PM Camilo Gabriel dos Santos Ferreira, lotado no distrito de Vila dos Cabanos, está foragido.

Segundo o delegado André Costa, os dois bandidos mortos, em troca de tiros, na madrugada do último dia 13 de maio, na Avenida Alcindo Cacela, na Cremação, em Belém, eram integrantes da organização criminosa. Márcio Afonso e Sidney Pantoja eram conhecidos assaltantes de banco e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que tem sede na capital de São Paulo e que age em todo país. José Ribamar Brito da Silva também tem ligações com o PCC. As investigações prosseguem, pois se estima que o grupo criminoso tenha movimentado em torno de R$ 4 milhões, com roubos, tráfico de drogas e movimentações financeiras.

O objetivo agora será identificar onde o dinheiro roubado foi aplicado para que seja feita a recuperação dos valores em benefício da sociedade. O mesmo grupo, conforme o delegado Evandro Araújo, é responsável por assaltar um empresário, em um condomínio residencial, em Belém, de onde foram roubados mais de R$ 300 mil. As investigações mostram que os integrantes do grupo são experientes no crime. O empresário ajudou o grupo criminoso no esquema de lavagem do dinheiro roubado.

O preso Helbert Dion iniciou a vida de crimes na prática de “saidinha bancária”. Já Estêvão trabalhou como vigilante por 14 anos. Ele tinha conhecimento do sistema de abastecimento de caixas eletrônicos. “Riba”, outro preso, já foi preso, em 2013, por envolvimento em três assaltos a bancos no Pará.

Arrombamentos

As investigações sobre a atuação do grupo começaram após o primeiro caso, registrado na madrugada de 13 de janeiro deste ano, quando homens usando ferramentas de serralheiro invadiram uma agência bancária em Salinópolis, onde arrombaram o cofre e saquearam mais de R$ 1 milhão, e ainda levaram três revólveres calibre 38 de propriedade da empresa responsável pela vigilância do banco. Os equipamentos de gravação das imagens das câmeras de segurança também foram levados pelos bandidos.

Uma equipe da Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos, vinculada à DRCO, seguiu, no mesmo dia, até o município, para iniciar as investigações. No local, foram apreendidos objetos usados no arrombamento do cofre principal do banco. Durante as investigações, os policiais civis descobriram que uma criança da localidade de Alto Pindorama, zona rural de Salinópolis, havia encontrado o aparelho de gravação do circuito interno do banco. Por meio da decodificação das imagens, foi possível identificar “Cesinha” e “Juca”.

Inicialmente, foram ouvidos os depoimento de cinco pessoas – a gerente, três policiais militares da guarnição do município e os dois vigilantes da empresa de segurança privada que prestavam serviço na agência bancária. As investigações apontaram que um dos acusados, Helbert Dion Lima Brasil, esteve em Salinópolis na época do arrombamento. Ele foi o responsável pela logística do grupo, fornecendo armas e demais meios para execução do crime. Outro envolvido nesse crime, José de Ribamar, já era investigado desde o ano passado, apontado por envolvimento na organização criminosa. Durante as investigações, a Polícia Civil apurou que Helton, Juca e Cesinha se reuniram dois dias antes do assalto em Salinópolis. As investigações mostraram ainda que as ações criminosas do grupo contavam com apoio de policiais militares.

Existem fortes indícios de que os policiais, que estavam de serviço na ocasião do arrombamento, deram cobertura para execução do crime. “Na ocasião do arrombamento do banco, o alarme da agência disparou, e dois policiais militares acionados de imediato para atender a ocorrência informaram que não havia qualquer anormalidade no banco”, explica o delegado André Costa, diretor da DRCO. O cabo Ivanildo Cruz é acusado de ter feito diversos telefonemas para um dos criminosos que estava dentro do banco, em Salinópolis, após ser comunicado do crime pela central de segurança do banco. Ele estava junto com o soldado Kledenilson Sousa.

Facilitadores

Já, em 20 de março, durante a madrugada, uma agência bancária foi arrombada, no distrito de Vila dos Cabanos, em Barcarena. Os bandidos pretendiam roubar dinheiro, mas não conseguiram, porque o alarme do banco disparou. As investigações mostraram que os arrombadores contaram com apoio do cabo Alcemir e do soldado Camilo Gabriel, que estavam de ronda na ocasião do crime. O cabo é apontado como a pessoa que manteve contato com os integrantes da organização criminosa enquanto o grupo arrombava uma agência bancária.

O soldado é acusado de avisar os arrombadores do banco sobre a chegada de policiais civis da DRCO à localidade. Nessa ocorrência, em Vila dos Cabanos, conta o delegado Evandro Araújo, os policiais militares chegaram a colocar em risco a própria vida dos policiais envolvidos nas investigações. “A guarnição repassou, via rádio, para outras guarnições da PM de que havia três veículos suspeitos na localidade, dando as características dos carros descaracterizados usados pelos policiais civis”, destaca.

Em 6 de abril deste ano, por volta de 04h40 da manhã, uma agência bancária em Mãe do Rio, nordeste do Pará, foi arrombada, nos mesmos moldes das ações praticadas anteriormente em Salinópolis e em Vila dos Cabanos. Outro arrombamento atribuído ao mesmo grupo criminoso foi registrado no último dia 2 de maio, por volta de 2 horas da manhã, quando foi arrombado um caixa eletrônico, situado em um supermercado, em Castanhal, nordeste do Pará. Foram roubados R$ 160 mil. Os criminosos ainda tentaram abrir o cofre, mas não conseguiram. Para realizar o crime, os bandidos chegaram a alugar um prédio ao lado do local. Eles renderam e amarraram o vigilante do supermercado e roubaram dele a arma. O bombeiro civil João Carlos Duarte Pinheiro era funcionário do supermercado e atuava repassando informações privilegiadas para a organização criminosa sobre o estabelecimento.

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