22.06.2015 - Rede Peixe - Curso de processamento de pescado em Sampaio - Fotos - Jodevaldo Pereira (2)

Nos dias atuais não basta apenas saber pescar, é preciso conhecer as novas técnicas de manejo correto, higiene, acomodação dos peixes e aprender também, as várias opções de produtos que podem ser criados a partir do pescado.  Para alcançar esses resultados, uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) realizou, nesta sexta-feira ,19, em parceria com a Agência Tocantinense de Ciência, Tecnologia e Inovação (Agetec), uma capacitação sobre processamento do pescado com cerca de 30 pescadores e piscicultores de Sampaio, na região do Bico do Papagaio.

A ação faz parte das atividades de extensão do Laboratório de Tecnologia de Carnes e Pescados do Curso de Engenharia de Alimentos da UFT, dentro do subprojeto Rede Peixe, desenvolvido por meio do convênio Tecnologias Sociais, com o intuito de fortalecer a cadeia produtiva do peixe no Extremo Norte do Estado.

Segundo o coordenador da pesquisa Rede Peixe, professor Pedro Ysmael Mujica,  estes cursos têm como objetivo capacitar os pescadores das colônias dos municípios beneficiados com projeto para que eles possam aplicar as Boas Práticas de Fabricação (BPF), durante a captura, acondicionamento, beneficiamento, processamento, distribuição e comercialização do pescado, bem como, aplicar técnicas de processamento do pescado para elaborar hambúrguer, almôndega, quibe, linguiça, dentre outros.

“A intenção é agregar valor ao pescado, proveniente da região, e produzir com qualidade, para que desta forma, as colônias possam adquirir o Selo de Inspeção Municipal (SIM), requisito obrigatório para comercializar o pescado produzido na região para o Programa de Alimentação Escolar (PNAE), e para outros Programas Sociais de Combate à Fome, aumentando o lucro dos pescadores”, explica o pesquisador Pedro Mujica.

Os participantes aprenderam na prática como fazer cortes diferenciados no peixe, cuidados com a higiene e uma variedade de formas de preparo e comercialização do pescado, agregando valor ao produto. “A maioria das pessoas aqui são pescadores artesanais, por falta de qualificação eles têm dificuldades na comercialização dos peixes e acabam repassando o seu produto muito barato  para os atravessadores, que lucram em cima desses pescadores”, relata o engenheiro de alimentos Eduardo dos Anjos, coordenador técnico da pesquisa.

Dentro dessa pesquisa já foram realizadas outras etapas como um diagnóstico sociocultural desses pescadores e outras capacitações sobre como se organizar em cooperativas, plano de negócios e gestão financeira.

O projeto já começa a mudar a vida de muitos pescadores e piscicultores da região, como é o caso de Marlene Brito Melo, que cria peixes e comercializa nas feiras das cidades vizinhas. “Essa qualificação vai me ajudar porque a gente só vendia o peixe inteiro e agora eu vou poder oferecer esse peixe em cortes na bandejinha, o filé e de outras formas atendendo mais fregueses”, conta a piscicultora.

A pescadora Eliane Gomes de Almeida todo ano vende peixe no período de praias e conta que perdia muitos clientes por falta de opções de pratos. “Agora, depois de participar desse treinamento, nós temos capacidade de oferecer mais variedades de pratos para os turistas e clientes na barraca”, afirma Eliane Gomes.

Colônia de pescadores

A colônia de pescadores do município de Sampaio do Tocantins, conta com aproximadamente 350 pescadores associados que juntos produzem em média uma tonelada de pescado por mês. As espécies mais comuns na região são: Pacu, Pau, Barbado, Traíra, Cará, Mandi-moela, Tucunaré, Curvina, Cari, Cachorra e outros. Segundo o presidente da Colônia de pescadores de Sampaio, Anderson Dias da Silva, esta pesquisa é importante, “porque além de gerar mais renda para os pescadores e movimentar mais a economia da região, o conhecimento fica com cada pescador, e ele poderá repassar para outros”, conclui Anderson Dias.

Tecnologias Sociais 

Beneficiando mais de 40 municípios, nas regiões do Estado em que apresentam o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o projeto Tecnologias Sociais é desenvolvido pela Agetec, por meio de convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do  Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação. Além do Subprojeto Rede Peixe, é desenvolvido na Região do Jalapão o Subprojeto Jalamel, para fortalecer a cadeia produtiva do mel, e na região Sudeste o GestLeite, para a Cadeia do Leite, e ainda, o subprojeto Forme Rede, um projeto de inclusão sociodigital também na região sudeste. (Jodevaldo Pereira)

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