Um trabalhador rural foi morto na madrugada desse domingo (14), no município de Tucuruí, no sudeste do estado. Após quatro dias de conflito entre colonos e supostos seguranças de uma fazenda, várias casas foram destruídas. O caso será investigado pela Delegacia de Conflitos Agrários (Deca).

O corpo do colono ainda não foi identificado e está no do Instituto Médico Legal (IML) de Tucuruí. Segundo os peritos, nenhum documento pessoal foi encontrado na propriedade rural, nem a esposa do colono foi localizada. A única informação que se tem até o momento é que ele era conhecido como “Osvaldo”.

Os colonos assentados na fazenda Petrópolis não querem ser identificados, mas afirmam que os responsáveis pela destruição das casas e pelas ameaças que vêm sofrendo são pistoleiros contratados pelo dono da área ocupada. “Estou vivendo no mato, com medo. Ninguém dorme mais, ninguém come mais, com medo deles”, disse um colono.

Outro trabalhador rural afirma ter sido ameaçado de morte junto a outros trabalhadores. Alguns colonos teriam abandonado a área com medo. “Eles ameaçam. Fizeram a gente abrir o nosso barraco, na marra, dizendo que eram policiais. Eles arrombaram a porta, deram dois tiros, jogaram pedra para quebrar a porta e nós ficamos quietos. Eles entraram e disseram para a gente botar as mãos na cabeça e ficar de joelho, botaram uma sacola na nossa cabeça para descobrir quem era o dono, mas o dono não estava no barraco esse dia. Tem uns 12 que já foram embora com medo”. Relata um trabalhador.

O presidente do Sindicato Regional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar, Roberto Elias, lamenta a morte de mais um colono em conflito de terra e espera que o ocorrido possa servir para agilizar o processo de regularização da área da fazenda, ocupada, segundo ele, há cerca de 13 anos. “São uns quatro dias de conflito tensos e que os trabalhadores estão saindo com marcas bastante profundas. Esperamos que a partir de agora sejam tomadas as devidas providências”, disse o presidente.

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