Uma equipe de 20 peritos das áreas de geologia, arqueologia e antropologia forense inicia nesta segunda-feira, 8, a primeira expedição deste ano para busca de restos mortais de militantes políticos da Guerrilha do Araguaia, movimento de combate ao regime militar realizado na região amazônica, na década de 70. A missão desse grupo é dar continuidade aos trabalhos para localização de 61 guerrilheiros, que permanecem desaparecidos desde a repressão comandada por tropas militares no norte do País durante a ditadura.

Nesta expedição, que segue até 19 de junho, as buscas serão concentradas em São Geraldo do Araguaia-PA e Xambioá-TO. As cidades que sediaram bases e acampamentos montados pelo Exército no período da Guerrilha, batizada com o nome do rio que divide as duas cidades: Araguaia. Segundo relatos de testemunhas, guerrilheiros foram enterrados em diversos pontos da região.

No município paraense, uma das áreas de atuação é o antigo cemitério de São Geraldo. A equipe prosseguirá com as investigações iniciadas em 2012 e 2013, com o objetivo de identificar covas em que possam estar enterrados desaparecidos políticos. Os peritos também devem fazer um levantamento de possíveis cavernas e fendas usadas para a ocultação de restos mortais no desfiladeiro do Morro do Urutu, situado na Serra das Andorinhas. No local, foram encerradas, em expedições anteriores, as escavações no topo do Morro, onde funcionava uma base militar clandestina.

Enquanto parte da equipe atuará em São Geraldo do Araguaia, a outra estará em Xambioá, no Tocantins. Os peritos pretendem dar continuidade às escavações no local que sediou a base militar de Xambioá, utilizada para atos de tortura contra camponeses e militantes políticos. As escavações serão concentradas em pontos do terreno com identificação de alterações na superfície, que podem corresponder a marcas de covas ou de objetos enterrados. Os peritos também trabalham para recuperar artefatos deixados pelos miliares na tentativa de promover o resgate histórico sobre o funcionamento da base de Xambioá, conhecida como um dos locais mais cruéis de tortura na região.

Expedições

As expedições são organizadas pelo Grupo de Trabalho Araguaia, coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). O apoio logístico e técnico aos trabalhos é fornecido pelos ministérios da Defesa e da Justiça. No total, o Estado brasileiro realizou 23 expedições para a busca de restos mortais de desaparecidos políticos na região do Araguaia de 2009 a 2014. Neste ano, ainda estão previstas mais duas ações de busca, entre agosto e outubro.

Resultados das buscas

Desde o início da operação na região do Araguaia, foram resgatados 27 restos mortais, encaminhados para a Universidade de Brasília, o Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal e o Instituto Médico Legal do Distrito Federal.

Dos restos mortais localizados, 12 estão em análise para a extração de DNA e em seis os exames não acusaram compatibilidade com as amostras existentes no banco de perfis genéticos de familiares de desaparecidos políticos. Em relação às demais ossadas, não foi possível extrair o DNA de quatro e cinco passaram por exames antropológicos e ainda aguardam novos procedimentos.

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