O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) lançou nesse sábado (04), durante a Feira Pan- Amazônica do Livro, a publicação “Governança socioambiental na Amazônia: Agricultura familiar e os desafios para a sustentabilidade em São Félix do Xingu – Pará”.

A obra reúne uma série de dados e análises do segundo maior município paraense, marcado por uma trajetória de impactos socioambientais e lutas por um ambiente mais sustentável na região.

Os primeiros capítulos da publicação reproduzem dois diagnósticos que compilam dados significativos de São Félix do Xingu. O município possui dimensões que se aproximam ao dobro do estado do Rio de Janeiro. Cerca de 80% do seu território é constituído de áreas protegidas, a maioria terras indígenas. Outro dado importante são os mais de 2 milhões de cabeça de gado – o maior rebanho bovino do país, segundo o IBGE.

O livro também relata o histórico de desmatamento do município que remonta a década de 1980, com a extração do mogno. Mais recentemente a pressão sobre a florestal atingiu outras espécies e áreas, principalmente para a abertura de pasto. Em meados de 2009, por exemplo, o desmate somou mais de 16 mil quilômetros quadrados, uma área dez vezes maior que a cidade de São Paulo.

A outra metade da publicação reúne o resultado de dois estudos, que envolveu 30 pequenas propriedades rurais. O conteúdo apresenta as potencialidades e as dinâmicas que a agricultura familiar vem desenvolvendo para mudar o cenário desafiador do município.

“Encontramos entre os  agroecossitemas analisados muitas experiências de diversificação produtiva –  Sistemas Agroflorestais (SAFs)”, comenta a coordenadora de projetos do IEB, Ruth Corrêa, uma das organizadoras da publicação. “Com esse sistema é possível recuperar áreas degradas e produzir de forma consorciada espécies frutíferas e hortaliças para comercialização”, explica.

Esse avanço resulta da iniciativa de agricultores (as) que participaram de intercâmbios de experiência e cursos de capacitação. “De alguma forma essas atividades viabilizaram o acesso ao conhecimento do manejo técnico das atividades produtivas predominantes”, comenta a coordenadora.

Políticas públicas 

Para o agrônomo Romier Souza, em São Félix do Xingu há um grande potencial na produção de alimentos e geração de renda pela agricultura familiar. Contudo os avanços destacados no estudo podem ficar restritos se não forem apoiados por agentes públicos.

“As dificuldades enfrentadas cotidianamente pelas famílias de agricultores por problemas relacionados à infraestrutura (estradas, energia elétrica, saneamento, saúde, educação), são grandes limitadoras do desenvolvimento rural. É eminente a necessidade de apoio a partir de políticas públicas amplas e universais que possam ampliar essa capacidade produtiva e, com isso, ajudar a melhorar a realidade socioambiental do município”, conclui Romier, também organizador da publicação.

IEB

A publicação é resultado do trabalho do IEB em São Félix do Xingu, iniciado em 2008, em parceria com Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar do Alto Xingu (Adafax) e apoio do Fundo Vale. O Instituto, ao longo de 15 anos de atuação na Amazônia, tem desenvolvido ações que promovem alternativas produtivas sustentáveis para a agricultura familiar e discutem a formulação de políticas públicas de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia.

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