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Aniversariante deste domingo, 19, Luana Ribeiro carrega a herança política do senador João Batista de Jesus Ribeiro, falecido em dezembro de 2013. A deputada estadual traz os traços do pai no jeito de se expressar, na maneira de conduzir seus mandatos e sua carreira política, como também pela determinação e otimismo, tão característicos do famoso político do então Norte de Goiás e, posteriormente, o Estado do Tocantins. Oradora por excelência, ela não foge a perguntas ásperas ou ao enfrentamento com seus pares e adversários.

Pela segunda vez, Luana vai à disputa pela Prefeitura da capital, apontando erros do atual gestor da cidade e apresentando propostas. Ela se elegeu deputada estadual pela primeira vez em 2006, com 28 anos. Foi reeleita em 2010, com expressiva votação (26 mil votos). Em 2014, foi reeleita deputada estadual com aproximadamente 21 mil votos, para exercer o seu terceiro mandato, ocupando atualmente a primeira vice-presidência da Assembleia Legislativa do Tocantins.

Na última eleição para Prefeitura de Palmas a sra. obteve aproximadamente 6 mil votos, enquanto seus dois adversários ultrapassaram a casa de 50 mil votos. Em que pese ter o apoio de seu pai – então senador da República – e do então prefeito, Raul Filho, sua candidatura não decolou. A quais fatores a sra. atribui aquela derrota nas urnas?
Foram vários fatores. O primeiro deles, a fase avançada da doença que acabou por acometer o meu pai. Ele não pôde participar diretamente como havíamos planejado. Tivemos em nosso palanque até mesmo o governador Marcelo Miranda – na época sem mandato – e sua esposa Dulce Miranda. O segundo fator foi que Raul Filho, então prefeito, também acabou por não entrar de cabeça na minha campanha eleitoral. É que dois dias após a convenção que me indicou como candidata a prefeita, estourou na mídia nacional o escândalo do Carlos Cachoeira, que atingiu diretamente Raul. Além do desgaste natural após oito anos de mandato, esse escândalo fez com que sua popularidade diminuísse muito, ficando muito prejudicado o apoio político dele naquele momento. Considero Raul Filho uma excelente pessoa, mas naquelas circunstâncias, ele não pôde fazer muito pela minha candidatura. Já o terceiro fator se baseia no fato de muitos outros correligionários que diziam estar nos apoiando, a partir de certo momento passaram a apoiar o Amastha. A maior prova disso são os cargos ou secretaria que assumiram posteriormente.

Outra detalhe: a pesquisa Ibope, de forma ardilosa, colocou Amastha na minha frente. Não era real, mas após a divulgação dela, as intenções de voto para ele subiram mesmo. Foi uma tentativa de desconstruir minha campanha, contudo, paralelamente desconstruiu também, por consequência, a campanha do Marcelo Lelis, que achava que já estava eleito. Ele achava que fazendo isso me tiraria do páreo, e realmente tirou, mas fortaleceu de uma forma absurda e meteórica o Carlos Amastha, para quem ele acabou perdendo a eleição.

Mas eu digo com sinceridade: não há dinheiro no mundo que pague essa experiência. Foi uma escola essa eleição, um aprendizado sem precedentes. Muitos marqueteiros brasileiros, caso seja discutida a hipótese do marketing viral, dirão que isso não existe, que é uma piada. Eu afirmo: no Tocantins existe sim e funciona. A onda de boatos de que eu havia desistido da campanha atrapalhou demais. Enfrentei as diversidades, fui corajosa e otimista, mas infelizmente não foi possível obter êxito. Foi doloroso perder aquele pleito, porém é quase impossível passar pela vida pública sem perder nenhuma eleição.

Quatro anos depois, eis que uma nova eleição se aproxima. A sra. é pré-candidata a prefeita de Palmas?
Vox populi, vox dei, a voz do povo é a voz de Deus. Eu não havia colocado meu nome nessa empreitada, contudo, a população de Palmas me aponta como um bom nome para a disputa e isso muito me honra. Eu não confio muito em pesquisas – o Ibope, inclusive, perdeu muita credibilidade –, mas o clamor popular surgiu, eu tenho uma boa proposta, um bom plano de governo e nunca deixei de estudar essa cidade. Conheço bem o Estado e principalmente Palmas. Há uma diversidade cultural muito grande por aqui.

A cidade foi construída por guerreiros, desbravadores que merecem uma capital com impostos justos porque os atuais são abusivos; merecem um desenvolvimento positivo e propositivo. O palmense hoje é um sujeito sofrido. O desemprego em massa aconteceu em razão do fechamento de várias empresas que estavam aqui estabelecidas. Já o transporte público é caro. O trânsito de caminhões na cidade é outro problema que não se resolve por decreto. O desafio de construir o anel viário norte e o anel viário sul, que desafogarão o trânsito no plano diretor, é iminente.

No que concerne à segurança pública, que também é um dever e responsabilidade do município, vai de mal a pior. As ruas estão mal iluminadas ou sem iluminação alguma. Esse fator aliado a lotes baldios e repletos de mato se transformam num ambiente favorável a atuação de marginais. A saúde também necessita urgentemente de ações concretas.
Enfim, precisamos implantar uma gestão integrada visando respeitar e valorizar o cidadão como ser humano, na sua essência. A nossa capital é promissora, há muitas possibilidades para promovermos o desenvolvimento dela, com responsabilidade. Por todas essas razões, sou pré-candidatíssima a prefeita de Palmas.

O fato de o ex-prefeito Raul Filho ainda estar no PR, partido que a sra. disse ter uma boa relação, e considerando ainda a provável inelegibilidade dele para esse pleito, seria possível estabelecer laços e alianças políticas com aquele grupo visando chegar ao Paço Municipal?
Eu não tenho dificuldade de diálogo com ninguém, muito pelo contrário, tenho um relacionamento aberto com todos. Porém, nesse momento estou preocupada com outra questão: meu pai dizia que na política tem que combinar primeiro com o povo, depois é que se pensa em alianças com outros partidos ou pessoas. O PDT me apoia nessa empreitada, por intermédio de dois grandes líderes, o ex-deputado e presidente estadual da sigla, Ângelo Agnolin, e sua mulher, Edna Agnolin, ex-vereadora e ex-vice-prefeita de Palmas. Várias lideranças do partido também me apoiam nessa pré-campanha. Vamos aguardar.

Como a sra. avalia a gestão do prefeito Carlos Amastha?
Ele é muito político e um excelente marqueteiro. Reconheço que ele cuidou da limpeza urbana da capital. Lembro-me do ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, que dizia que o aspecto visual está muito relacionado a autoestima da população. Parece que o atual gestor aprendeu essa lição. A decoração das avenidas e rotatórias nas datas comemorativas também foi uma boa iniciativa. Estimulou o comércio local. Esses são alguns dos poucos aspectos positivos.

Entretanto, não podemos esquecer que houve aumento do IPTU, aumento do ISS e, além disso, que o Projeto “Shopping a céu aberto” se resumiu a um estacionamento pago em que a empresa contratada fica com mais de 90% do valor arrecadado. Ademais, houve problemas com a licitação da empresa de recolhimento de lixo. Por fim, os servidores municipais da saúde e da educação não estão nada satisfeitos com a falta de diálogo do prefeito com a classe. Inobstante a isso, caiu o índice de qualidade do ensino fundamental que outrora era classificado pelos institutos como excelente. Outra questão: a capital não tem um hospital municipal e isso é um problema porque afoga o HGP e deixa a população refém de quartos e corredores lotados. O próximo gestor tem que assumir o compromisso de construir um hospital do município. Muitos outros compromissos feitos pelo prefeito Amastha não foram cumpridos, como a revitalização da avenida gastronômica Palmas/Brasil, o asfaltamento do jardim Taquari, etc. Ninguém é obrigado a prometer, mas se prometer tem que cumprir.
Então, não restam dúvidas: a gestão atual deixou muito a desejar.

Caso a sra. seja eleita, qual seria a solução imediata para o estacionamento rotativo?
Tudo que for ilegal ou prejudicial para o poder público pode ser revisto juridicamente. Um estacionamento que não prevê tolerância, que não respeita a Constituição Federal no que concerne a idosos e portadores de necessidades especiais, deve ser revisto. A determinação é uma das minhas características mais marcantes. Se for para romper o contrato, que se rompa. Primeiro, porque o contrato com a Blue foi sem licitação; segundo, porque a divisão da arrecadação está totalmente disforme e injusta. Isso é renúncia de receita e essa conduta é legalmente considerada como improbidade administrativa.

Em relação à Câmara de Vereadores de Palmas, a pauta está trancada por mais de 60 dias por ordem do prefeito Amastha. Os vereadores da base perderam o lugar nas comissões em razão da troca de partidos e por tal razão, em retaliação, o gestor insiste em esvaziar as sessões de forma a não haver quorum suficiente para votações. Na hipótese, como seria o comportamento da prefeita Luana Ribeiro – atualmente uma parlamentar estadual – em caso de minoria na casa legislativa municipal?
Eis uma pergunta providencial. O Brasil e também o Tocantins passam por um amadurecimento político. A democracia plena só acontecerá quando efetivamente o Legislativo for totalmente independente do poder Executivo. O prefeito tem uma dificuldade em se relacionar com a Câmara de Vereadores, mas independentemente disso, a máquina pública não pode e não deve parar. Por isso a independência dos poderes é necessária. O parlamentar deve votar e se portar de acordo com as suas convicções. Não se pode vincular o voto do deputado ou vereador porque se está na base de sustentação ou na oposição. Esse voto deve estar relacionado com o bem-estar da população, sendo indiferente quem é o autor do projeto. Outras vezes, o projeto é impopular naquele momento, no entanto, com o decorrer do tempo a população compreende porque o parlamentar votou daquela forma.

Se, hipoteticamente, eu tivesse minoria na Câmara de Vereadores, a melhor solução seria o diálogo, em vez de trancar a pauta. Esse é o pior caminho. Sou democrática e sei ouvir críticas. Evidentemente que às vezes não gosto delas, contudo elas me fazem refletir. Por exemplo, sou presidente da Comissão da Segurança Pública na Assembleia Legislativa e, apesar de ser oposição ao governador do Estado, tenho um grande aliado que é o próprio secretário de Segurança Pública, o dr. Cesar Simoni. Debatemos os assuntos da segurança em alto nível, sabemos das limitações orçamentárias, como também reconhecer o esforço das pessoas. As emendas que eu mandei para aquele setor foram muito bem empregadas. Ele fez “mágica” com as verbas que destinei para a segurança pública, quer seja quitando débitos anteriores, quer seja investindo em reformas de prédios. Por estas razões, creio que o diálogo é a melhor solução para tudo.

Por falar em segurança pública, como serão as audiências públicas agendadas para debater esse tema?
Faremos a primeira delas em Porto Nacional em que participarão a OAB, a Fieto, Polícia Federal, Exército, Ministério Público, empresariado local, líderes religiosos, enfim a comunidade como um todo. Pretendemos elaborar um diagnóstico da segurança pública no Estado do Tocantins e através dele, entregaremos ao governo estadual um orçamento verdadeiramente viável e passível de ser executado. Trata-se do Projeto de Res­ponsabilidade Compartilhada para a Segurança Pública, que é uma ação em parceria entre a Assembleia Legislativa e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/TO).

Sua trajetória política está muito ligada ao seu pai, senador João Ribeiro, um ícone da política tocantinense, sem dúvidas. Como a sra. recebeu essa herança e esse capital político?
Considero-me privilegiada, tive uma boa escola. O senador João Ribeiro, além de um grande político era um ser humano indescritível. Uma paciência imensa com todos e um olhar especial para os problemas sociais, além de muito municipalista. Isso torna a minha responsabilidade maior ainda. Tenho que honrar esse nome e tentar chegar perto do que ele foi e representou para o Tocantins. Para se ter uma ideia, nos últimos dias de vida, já no leito do hospital, ele despachou de lá mesmo, deixando as emendas organizadas e engatilhadas de forma a beneficiar o Estado do Tocantins.

Veja: as obras no Estado do Tocantins foram eternizadas pelas emendas dele. Inclusive, até os dias atuais, participo de inaugurações de obras, cujas verbas foram fruto de emendas dele. Foram 144 creches em 139 municípios. Além disso, houve várias emendas para casas populares, ginásios, quadras poliesportivas, escolas, campos de futebol, asfalto, além de travessias urbanas em Araguaína, Gurupi, Colinas, Miranorte e Nova Rosalândia. Enfim, é impossível entrar e sair do Estado sem se lembrar do senador João Ribeiro.

Sempre prestei muita atenção na conduta dele com a coisa pública. Quando eu quis entrar para política ele relutou muito, porque ele dizia que a política era muito dura. Hoje eu entendo. Mas eu tinha amor pela política e por isso segui seus passos. Quando se ama o que se faz ou uma profissão, isso torna o fardo mais leve. Para mim é um prazer militar na política.

Na última janela de transferências partidárias, a sra. deixou o PR para se filiar ao PDT. Essa possibilidade aberta pela legislação trata-se de um mecanismo justo ou casuístico?
As duas coisas… (risos). É ambíguo. Acredito que os partidos políticos não podem ficar engessados. É necessário que as pessoas tenham o direito de ir e vir. O meu ciclo no PR se encerrou quando o meu pai faleceu. Este é o marco final. Foi dolorido sair das fileiras do partido, justamente porque ajudei meu pai a construir e estruturar essa sigla. A minha dor é imensurável, ainda sinto muito essa perda. Nós percorremos todo o Estado do Tocantins juntos e quando não fui com ele, eu fui para ele. Representei-o, com orgulho, em vários eventos. O Partido da República fazia, portanto, parte de nós dois. Fomos felizes enquanto estivemos filiados a ele, todavia, hoje ele está com um novo formato, uma nova identidade, enfim, com um novo jeito e modelo.

Os ciclos se renovam. O meu pai também ajudou a criar o PFL no Tocantins e depois saiu dele para ir ao PL que posteriormente se transformou no PR, mesmo tendo raízes e laços profundos com o PFL. Vejo como natural o que aconteceu com o senador naquele momento e também o que houve comigo agora. Guardei como grande experiência a passagem pelo PR, contudo, entrei no PDT de corpo, alma e coração. Nas pessoas do presidente nacional Carlos Lupi e do ex-deputado Ângelo Agnolin, o partido por sua vez, me acolheu de forma entusiástica. Procurei uma sigla com a qual eu me identificasse e o fato de Lupi ser reconhecidamente uma pessoa que cumpre sua palavra, optei por este partido. Eu prezo, na vida política, essa conduta.

Como a sra. avalia os seus três primeiros semestres de mandato?
Tenho feito a minha parte, tentado cumprir minha missão. Sou oposição ao governo estadual, contudo, tenho votado de forma a beneficiar a população, independentemente de quem é o autor do projeto. Há algumas bandeiras que tenho orgulho de ter encampado como a questão do parto humanizado, no momento em que se discute o respeito às mulheres, à gestação, à vida. É um projeto de minha autoria que foi transformado em lei.

Neste e noutro mandato debati e defendi, por exemplo, a questão das 30 horas na saúde; travo uma luta constante em prol da segurança pública; represento também o empresariado e geração de emprego e renda. A sociedade precisa do emprego, uma vez que este é o sustentáculo de grande parte das famílias; defendo também as pequenas empresas de forma que se elas se mantenham vivas e fortalecidas no mercado, gerando mais empregos.

Na Câmara Municipal de Palmas não há nenhuma vereadora. A sra. acha que falta um maior engajamento das mulheres na vida política do Tocantins e do País?
Temos que incluir as mulheres não apenas na esfera política, mas também incluí-las na sociedade como um todo, em todos os segmentos. Segundo os dados da Fundação Perseu, as mulheres recebem menos que os homens, fazendo o mesmo trabalho, o que também é confirmado pelo IBGE. É estatístico também que elas se qualificam mais, mas não têm as mesmas oportunidades. O que nós precisamos fazer é promover a igualdade, harmonizar e respeitar os espaços de cada um, enfim, acabar com esse desequilíbrio.

Os cargos importantes nas corporações, no poder público, na maioria das vezes não são ocupados por mulheres. Particularmente, considero um absurdo que o presidente interino Michel Temer não tenha indicado nenhuma mulher para um ministério. Não é possível…! Tantos ministérios e não há uma única mulher capaz de assumir um deles? Sabe desde quando isso não ocorria? Desde a ditadura militar. Portanto, isso foi um retrocesso para as mulheres na política. Há um longo trabalho pela frente e haveremos de enfrentá-lo.
O PDT tem a ala “Mulher Trabalhista” e nós temos várias pré-candidatas a vereadoras em Palmas. Valorizamos e acreditamos na força delas. Não é fácil arregimentá-las e tirá-las do seio familiar para se envolver com política e servir a sociedade, mas garanto-lhe: é possível e viável.

Qual a sua avaliação acerca da 20ª Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais – 2016, ocorrida dias atrás em Sergipe?
Foi fantástico. Todos os profissionais, inclusive os políticos, devem se qualificar. Foi um grande evento que teve como objetivo envolver os parlamentos estaduais na discussão de temas de interesse nacional. Enriquecemos o debate com a finalidade de transformar em ações que resultarão em mais eficiência do nosso trabalho como parlamentar e mais desenvolvimento para o Estado. Dentre muitas outras, uma questão discutida na Copa – Confederação do Parlamento das Américas foi a violência contra a mulher, que não é um problema apenas do Brasil e sim global. Além disso, várias palestras foram extremamente propositivas, como a do ministro Dias Tóffoli, acerca da desburocratização. Já a conselheira do TCE/TO, Dóris Coutinho, lançou o livro que trata de corrupção e responsabilidade fiscal, denominado “O ovo da Serpente”. Houve, enfim, uma troca de conhecimentos e informações que considero muito saudável. Cada evento desta natureza me capacita ainda mais para representar a população deste Estado. (Jornal Opção/Dock Júnior)

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