protesto_1Os aprovados no concurso da Secretaria de Defesa Social se dizem “enganados” pelo Estado. O sentimento de frustração veio após a última declaração dada pelo Governo do Tocantins. A Secretaria Estadual de Administração informou que o curso de formação, última etapa do certame, será realizado só em 2016 devido a falta de orçamento.

Os candidatos tinham esperança de que a convocação seria feita ainda este ano. O integrante da comissão dos aprovados, Kelme Mourão, disse que o Estado deveria ter feito a previsão orçamentária assim que lançou o concurso, há cerca de 10 meses. “Por que então o concurso foi lançado? Nós fizemos um investimento, estudamos, gastamos muito com os exames médicos. Muitos candidatos de outros estados se mudaram para o Tocantins pensando que iriam ser convocados. Isso não afeta apenas 2000 candidatos, mas cerca de 10 mil pessoas, que fazem parte da família destas pessoas”.

Na opinião de Kelme, o atraso no andamento do concurso também prejudica a população do Tocantins. “Hoje o Estado está fazendo contratos de agentes administrativos para suprir a demanda no sistema prisional. Seria mais viável se fossem chamados os aprovados no concurso para se tornarem servidores efetivos. O Estado acaba perdendo o crédito com a população”, lamentou.

Esta não é a primeira vez em que os candidatos ficam frustrados por causa de problemas no concurso. No dia 7 de janeiro deste ano, o certame chegou a ser interrompido pela Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (Funcab), responsável pela seleção. Ela alegou que o governo estadual não tinha cumprido cláusulas contratuais e que tinha uma dívida de R$ 2,36 milhões.

O cronograma só foi retomado após um acordo estabelecido entre a instituição e o Estado para o pagamento da dívida. Esse novo impasse também tem gerado transtornos para a estudante Lamara Ribeiro dos Santos, 25 anos. Ela mora em Amarante do Maranhão (MA) e foi aprovada na vaga de técnica em defesa social – feminino. A mudança para Palmas já estava planejada.

“Eu estava apostando todas as fichas, pensei que ainda este ano estaria trabalhando. Nós passamos por desgastes físicos, mentais e financeiros. Gastamos mais de R$ 2 mil só nos exames médicos, sem falar nas passagens de ida e volta”, alegou.

Uma das maiores reclamações dos candidatos é que o Estado anunciou que o curso de formação será realizado em 2016, mas não especificou uma data. “O ano tem 365 dias, pode ser no início, mas pode ser em dezembro. Precisamos que o governo estipule uma data”, reclamou a estudante.

No total, cerca de 42 mil candidatos se inscreveram, sendo que foi colocado em disputa o preenchimento de aproximadamente 1.250 vagas.

Resposta

Em nota, o governador Marcelo Miranda não informou quando o curso será realizado, apenas reafirmou que a segunda etapa ocorrerá em 2016 e se comprometeu a fazer a devida previsão orçamentária e financeira.

“O Governo do Estado compreende que a demanda de conclusão deste concurso é importante para o Tocantins e para os candidatos aprovados. Mas ao mesmo tempo é preciso ter a responsabilidade legal e, acima de tudo, preparo financeiro para pagar sua realização, o que hoje não é possível garantir tendo em vista a situação financeira precária em que se encontra o Estado”, complementou. (G1)

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