Nesta quarta-feira (15), o motorista suspeito de atropelar três pessoas e matar duas vítimas durante um protesto na rodovia Transamazônica, próximo a Vitória do Xingu, se apresentou à polícia. O atropelamento ocorreu em maio.

Isac Gonçalves Campos, que estava com a prisão decretada pela Justiça de Altamira, alegou ao delegado que não teria percebido o atropelamento ao passar pelo bloqueio. Ele está preso na Central de Triagem de São Brás, mas será transferido para Altamira nos próximos dias.

No último dia 18 de maio, três manifestantes foram atropelados e dois deles morreram durante uma interdição na rodovia Transamazônica. O protesto impedia a entrada de funcionários nos canteiros de obras de Belo Monte. Os manifestantes exigiam que o Governo Federal atuasse na regularização fundiária, crédito e melhorias, como a extensão do projeto “Luz para Todos”.

O motorista tentou furar o bloqueio dos agricultores na altura do km 27, em Vitória do Xingu, sudoeste do Pará, e atropelou Daniel Vilanova Dias, 41 anos, Leidiane Drosdroski Machado, 28 anos, além de Mateus Silva, de 13 anos. O casal não resistiu aos ferimentos e morreu. O adolescente foi encaminhado para o Hospital Municipal São Rafael.

Segundo o agricultor Deilson Fernandes, o motorista acelerou de propósito na direção dos manifestantes. “A pessoa acelerou e partiu pra cima. Ele fugiu, foram atrás dele de moto”, conta Fernandes.

Manifestações

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na tarde do domingo (17) o grupo já havia bloqueado pela primeira vez a entrada do km 27, da BR-230, impedindo o acesso ao Sítio Pimental. Na madrugada de segunda o bloqueio foi realizado nos três principais acessos do canteiro de obras da usina, os sítios Pimental, Canais e Diques e Belo Monte.

Tendas foram armadas e os agricultores ficaram distribuídos no km 27, bloqueando o acesso ao Sítio Canais e Diques e Pimental; km 40 que leva ao Sítio Belo Monte; e km 55 por onde se chega também ao Sítio Pimental e à vila residencial, onde moram 7.200 pessoas.
De acordo com o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pela construção civil da usina, a produção está prejudicada desde segunda-feira em razão de bloqueios em diferentes vias de acesso aos canteiros de obras. O CCBM informou que mantém os serviços essenciais em operação e está tomando todas as ações cabíveis no âmbito jurídico-administrativo.

Já a Norte Energia S.A, empresa responsável pela construção e operação da UHE Belo Monte, afirmou, em nota, que a pauta dos manifestantes que não está vinculada ao empreendimento e para chamar a atenção das autoridades os manifestantes estão utilizando o impedimento aos canteiros da obra.

O clima ficou tenso entre motoristas e manifestantes, que permitiram a passagem de carros por uma hora para diminuir o engarrafamento na Transamazônica. A ocupação foi retomada uma hora após a liberação.

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