O reconhecimento das quilombolas como cidadãs que participam e decidem em suas comunidades, onde quase sempre são maioria, e a batalha de conscientização para a importância da conquista de seus direitos por meio da educação, vêm norteando o trabalho de um grupo de mulheres tocantinenses. A atuação delas serve de referência para tantas outras mulheres que habitam o Estado, mas que têm seus direitos feridos ou estão à mercê de outras formas de violência.

Integra esse grupo, Celenita Gualberto Bernieri, liderança negra e coordenadora Estadual das Comunidades Quilombolas da região sudeste, que defende a introdução do Estudo Étnico Racial na grade curricular das escolas de ensino fundamental e médio, como determina a Lei Federal nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira. Ela acredita no lema de que é A união que faz a força.

Celenita está intelectualmente inserida na sociedade como assessora pedagógica do campus da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) em Dianópolis, além de ser coordenadora de Avaliação de Desempenho da prefeitura local e presidente do Conselho de Assistência Social. Isso permite que ela esteja presente e se atualize durante encontros estaduais e nacionais que abordam os direitos da mulher.

São subsídios que lhe permitem proferir palestras nas comunidades quilombolas, discutindo, alertando e orientando as mulheres a conquistarem seus espaços, para que não fiquem somente na rotina doméstica e usufruam de renda extra como artesãs e profissionais, além de poderem contribuir para a formação dos futuros líderes, mostrando desde agora as responsabilidades dos postos que os jovens assumirão quando adultos.

Espaços

“Comecei na militância quando entendi que fazia parte de uma classe trabalhadora de gerações sofridas. Me vi responsável por temas que fazem a diferença para o nosso povo, tais como o processo de estudo antropológico da comunidade em reivindicação pelo título do território em definitivo; o incentivo a inserção na universidade através da luta pelos 5% de cota específica para quilombolas na UFT; a solicitação das bolsas permanências dos universitários dentre outras vitórias que conquistamos”, justificou.

Atualmente, mais de 20 jovens da Comunidade Lajeado estão em universidades, o que a deixa bastante orgulhosa. Outra missão que assume é manter e divulgar a cultura local, como a sússia, uma dança marcada pelo ritmo dos tambores e cuícas, onde homens e mulheres são conduzidos em uma espécie de bailado, em que giram em círculos.

A articulação com os conselhos e órgãos pela busca de recursos que beneficiem as comunidades e tragam horizontes profissionais e de trabalho para as famílias toma grande parte de seu tempo. Através da valorização da cultura tradicional quilombola, de participação e transversalidade com grupos ativos, na mobilização das mulheres e jovens para novas absorções, esta guerreira planta para o futuro. Nesse contexto, Celenita tem na Diretoria de Políticas para Mulheres da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção Social (Sedeps) seu alicerce.

Atendimento

Por meio da Secretaria de Estado da Defesa e Proteção Social (Sedeps), unidades móveis de atendimento às mulheres têm percorrido comunidades quilombolas e projetos de assentamento no Tocantins. A iniciativa faz parte da Ação Viva Mulher, que dispõe de ônibus equipados para atendimentos de prevenção, assistência e educacional, por meio de palestras e esclarecimentos sobre a Lei Maria da Penha e sua aplicação. “Além das comunidades quilombolas e assentamentos, levaremos o programa para todas as regiões do Estado e queremos que ele chegue às mulheres de áreas rurais de todos os municípios tocantinenses”, frisou a diretora de Políticas para Mulheres da pasta, Ana Maria Vanderlei.

Além disso, uma parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social (Setas) tem possibilitado que uma equipe participe da ação levando palestra sobre inclusão produtiva voltada para as mulheres que desejam saber mais sobre as possibilidades do mercado de trabalho. Também é feito atendimento especializado às mulheres em situação de violência, no sentido de levantar demandas de políticas públicas para mulheres rurais com vistas a serem incluídas no Plano Plurianual (PPA) 2016.

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