Um levantamento da Comissão Pastoral da Terra Araguaia-Tocantins aponta que cinco comunidades de sem-terras foram atacadas nos últimos três meses no estado. Um dos ataques foi contra famílias de um assentamento próximo de Wanderlândia, norte do Tocantins. Eles denunciam que o acampamento foi invadido por homens armados. Barracos foram queimados e lavradores relatam agressões sofridas.

“Eles destruíram tudo no fogo e disse para a gente: tá vendo essa chama aí? Assim como a gente tá queimando esses barracos, nós podíamos muito bem jogar vocês aí dentro, já estão amarrados mesmo [sic]”, relatou a lavradora Neusa Matos de Sousa. Os sem-terra estariam ocupando uma área da União, conhecida como Tubarão.

Outro caso recente ocorreu em uma fazenda em Piraquê, nesta segunda-feira (18). Durante a invasão, um jovem sofreu ferimentos de tiro em uma das mãos. De acordo com a Comissão Pastoral, três pistoleiros armados disseram que se “os outros ocupantes continuassem naquelas terras, iriam matar todos”.

No dia 8 de julho, Genivaldo Bras do Nascimento, de 36 anos, identificado como uma liderança dos sem-terra foi morto em Araguaína. Também foram registrados conflitos em fazendas na região de Santa Fé do Araguaia e Carrasco Bonito.

Resposta

Procurada, a Delegacia de Repressão a Conflitos Agrários (DRCA) disse que “tão foi logo foi noticiada dos fatos, deu início às investigações no sentido de apurar e esclarecer todos os acontecimentos”.
No caso de Piraquê, a delegacia afirmou que enviou uma equipe para realizar buscas, identificar e localizar os possíveis autores do crime. Porém, não informou se alguém foi preso.

Sobre os ataques em Wanderlândia e Carrasco Bonito, a delegacia informou que os sem-terras registraram queixa por tentativa de intimidação. O dono da terra também registrou a ocorrência por invasão e pediu a saída das pessoas da área. Conforme a polícia, não há inquérito sobre estes casos por se tratarem de crimes de menor potencial ofensivo. Porém, as queixas foram enviadas ao judiciário.

A Polícia Civil disse ainda que está investigando a morte de Genivaldo Bras do Nascimento e há a suspeita de que o caso tenha relação com conflitos agrários. (G1)

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