Criada no dia 7 de agosto de 2006 para coibir, prevenir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha completou ontem nove anos de vigência. Em Marabá, se por um lado as estatísticas apresentam aumento no número de denúncias, por outro preocupam autoridades. De acordo com o balanço da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), em Marabá, o número de inquéritos instaurados para o crime de ameaças aumentou 25% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Já o crime de lesão corporal teve redução de 11%.

Os crimes de violência contra a mulher ocupam a terceira posição de crimes mais denunciados. Perdem somente para as ocorrências de perturbação domiciliar e tráfico de drogas. Segundo a delegada Ana Paula Fernandes, titular na Deam, as mulheres estão procurando mais a delegacia e denunciando mais o agressor.

O balanço realizado de janeiro a agosto apontou, no ano de 2014, 72 inquéritos de ameaças e 61 de lesão corporal. Agora em 2015, o número de ameaças subiu para 90 e o crime de lesão corporal caiu para 54. “Isso é um ponto positivo, pois em tese o crime de lesão corporal afeta mais a mulher do que a ameaça”, explica a delegada Ana Paula.

Outro levantamento, feito pelo serviço Disque-Denúncia, sobre os casos de violência contra a mulher, apontou que 73,5% dos casos da violência acontecem na própria residência, 9% na rua e 17,5% em outros locais. Os dados foram levantados com base em um questionário, realizado com 200 pessoas, que anonimamente recorreram ao serviço.

A pesquisa aponta que em 97,5% dos casos o agressor vive com a vítima, sendo na maioria das vezes o marido, aparecendo 142 vezes. Em 56% dos casos, o autor da agressão consome bebida alcoólica ou drogas. A maioria das vítimas revelou que 27,5% dos casos ocorrem há mais de um mês e 18,5% há mais de um ano. A maioria dos crimes acontece com frequência diária ou uma vez por semana.

A crueldade assusta quando se analisa o tipo de violência praticada, uma vez que 82% das denúncias são por agressão física, 33% ameaça de morte e 55% verbal. Também constam violência sexual (7%) e cárcere privado (25%). Entres os tipos de agressões 132 casos foram apontados com socos, em 34 deles o uso de facas, além de arma de fogo, chutes, empurrões, estrangulamento, uso de pau e até cigarros. (Diário do Pará)

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