1439503155-571419941

Trabalhando para assegurar direitos a quem vive à margem de garantias fundamentais, o defensor público Fábio Carvalho viu uma das atuações dele na Vara da Infância e Juventude, em Imperatriz, se transformar em um caso de família.

Ele e a esposa, a magistrada Ana Paula Silva, acolheram três irmãos, na faixa etária de sete a nove anos, que há cerca de quatro anos institucionalizados, alimentavam a esperança de voltar a viver sob a
proteção de um verdadeiro lar. O casal, que ainda não tem filhos biológicos, ajudou a diminuir a fila de adoção no Estado, que conta, hoje, com 77 crianças aptas ao procedimento, destas 23 residentes em
Imperatriz.

“Elas (as crianças) eram filhas sem pais e eu era um “pai” sem filhos”, disse o defensor público ao se deparar com as duas meninas e um menino, em uma das audiências que acompanhava, na Casa da Criança, instituição de acolhimento da cidade que tem capacidade para 30 internos, de até os 10
anos de idade.

“Naquele dia, em especial, sussurrei para o juiz a respeito da minha intenção, ainda precoce. Antes de deixar a Casa, olhei para os meus futuros filhos e lhes disse: nós ainda nos veremos muitas vezes”, relembrou Fábio Carvalho, que logo manteve contato com a esposa, manifestando o desejo de aumentar a família.

Do encontro, que mudaria a vida do defensor, até a adoção, pouco tempo se passou. Ao conhecer as crianças, o coração da Ana Paula, tomado por um sentimento indescritível, logo se rendeu aos encantos dos órfãos.

“Depois de alguns desencontros, relacionados a compromissos profissionais nossos, acertados anteriormente, liguei para minha esposa e disse: vá à Casa da Criança ver os seus filhos”, e quando ela os viu, me retornou dizendo: “meu bem, não tem volta. Seremos pais”, contou Fábio, que deu início ao processo, com a inscrição no programa de acolhimento familiar da Vara da Infância e Juventude.

Em menos de cinco dias, os pretensos pais apresentaram o requerimento de inscrição no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). “A atuação na Vara da Infância foi fundamental para a nossa decisão de adotar”, afirmou.

Levando para casa os três irmãos, o defensor público e a magistrada, titular da Vara da Mulher, em Imperatriz, seguiram o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os grupos de irmãos sejam adotados pela mesma família substituta.

Na avaliação de Fábio Carvalho, foi justamente o fato de estarem juntos que fez os irmãos suportarem os traumas com a infância interrompida.

“Separá-los, portanto, seria um crime. Eram o esteio uns dos outros. Em razão do dispositivo legal, diversos pretensos adotantes desistiram diante do desafio que é adotar três crianças quase que batendo às portas da adolescência”.

O defensor público ainda tem uma sobrinha de seis anos, que segundo ele,s e autoadotou. Ana Paula tem a guarda compartilhada da menina Ester. E ao que tudo indica, a família só tende a crescer. “Se a vida me enviar filhos biológicos, serão notadamente bem-vindos. Se me enviar mais filhos adotivos, serão acolhidos da mesma forma. Os laços consanguíneos não correspondem, necessariamente, aos laços afetivos. Os verdadeiros laços de afeição, portanto, transcendem o sangue e o sobrenome, a estirpe e a linhagem”, assinalou.

Ainda extasiados e perplexos com os rumos que a vida tomou, o casal classifica a adoção de seus três filhos como um dos mais belos atos de amor. “Ser mãe ou pai de filhos naturais é uma obrigação imposta pelas leis da vida. Nem sempre é uma opção. A adoção, a seu turno, é sempre uma escolha. O primeiro princípio que norteará a educação dos meus filhos se destina a mim mesmo”, finaliza Fábio. (iMirante)

COMPARTILHE

DEIXE UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.