f_Salame1 Numa entrevista coletiva a semana passada, em que a maior parte do tempo passou olhando para trás de seu governo e avaliando o que deu errado, o prefeito João Salame Neto vislumbrou um cenário nada confortável para quem ganhar a eleição e assumir a Prefeitura de Marabá a partir de 1º de janeiro de 2017. Um pouco abatido por não ter tido condições de se candidatar, com voz menos animadora que no passado, Salame garantiu que vai usar o tempo que lhe resta na cadeira mais emblemática da cidade (quatro meses e meio) para atuar muito mais como gestor austero do que como político. Para isso, disse que já demitiu dezenas de comissionados (não deu número exato) e que não descarta chegar a cerca de 400 servidores dessa categoria. Afirmou que fechou as portas das secretarias de Turismo, Ações Comunitárias e ainda determinou a paralisação total de obras que estão sendo executadas com recursos próprios. “Só vamos tocar, até o final do ano, as obras que estão sendo executadas com recursos federais e de convênios”, ressaltou. Salame disse que seu afastamento do cargo por 90 dias foi determinante para não concorrer, somado ao fato de que seu nome estava – de certa forma – desgastado junto à opinião pública, “como se tivesse cometido algum ato ilegal, quando na verdade isso não aconteceu”, garantiu. O prefeito culpa a falta de continuidade de várias obras à queda de receita como desdobramento da crise que se abate sobre o País. Foi por isso, segundo ele, que tomou a decisão de pagar apenas os salários líquidos, manutenção de hospitais e escolas e ter deixado de repassar valores devidos ao Ipasemar. “Por mais que a gente tenha investido 38% da receita corrente líquida na educação, muito menos do que a lei preconiza, mas nem isso foi suficiente e gerou um déficit na educação”. Pior do que antes? João Salame disse que agora, ao retornar à Prefeitura, o quadro que encontrou foi pior do que o que deixou, embora não tenha atribuído diretamente a culpa ao seu vice, Luiz Carlos Pies. Disse que tem uma folha de R$ 32.834.701,86, mas só encontrou R$ 2.678.250,84 nas contas do município. “Ou seja, novamente me deparo com um cenário desfavorável, daí as medidas severas adotadas neste momento novamente com o objetivo de garantir que o servidor não seja lesado em seus direitos”. O prefeito disse que ontem mesmo reuniu-se com os sindicatos para estabelecer um planejamento de pagamento dos salários e que vai fazer esforço para equacionar o problema da Folha de Pagamento, sobretudo dos concursados, afirmando que os comissionados que restarem só receberão depois que todos os demais tiverem com salários pagos. “Vamos economizar, paralisar todas as atividades, a não ser aquelas absolutamente essenciais”. O gestor disse que o maior dilema na Prefeitura de Marabá é o inchaço da Folha de Pagamento e um vespeiro chamado PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração), que precisa ser revisto. Questionado pela Reportagem do CORREIO sobre o que fará a partir de 1º de janeiro de 2017, já que estará fora do cargo de prefeito, Salame disse que já recebeu alguns convites para atuar tanto no setor público quanto no privado, mas que só vai analisar as propostas depois que deixar a Prefeitura de Marabá, no final deste ano. Prefeito tenta amenizar fogo cruzado com vice Sem demonstrar rancor, Salame disse que vai analisar um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado pelo vice-prefeito Luiz Carlos com o Ministério Público para atender o Hospital Municipal, pretende reunir com o MP para avaliar o que é possível avançar. “CAPS, CRISMU e UPA são nossa intenção concluir até o final do mandato”, afirmou. Reafirmou que assinou instalação de duas comissões de sindicância com prazo de 30 dias para trabalhar, sendo uma para apurar denúncias relacionadas à Secretaria de Saúde e outra para a Secretaria de Educação, ambas formuladas pelo vice-prefeito Luiz Carlos, que será o primeiro a ser chamado a depor. “Vamos apurar essas denúncias e dar espaço ao contraditório para saber se elas são verdadeiras e responsabilizar quem tiver culpa, se houver”. Segundo o prefeito, mesmo afastado ele não tentou atrapalhar a gestão de Luiz Carlos à frente da Prefeitura. Pelo contrário, ainda atuou liberação de recursos no valor de R$ 6 milhões que estavam bloqueados pela Justiça. “Em nenhum momento fiz avaliação do trabalho dele. Disse em uma entrevista ao CORREIO que a mim competia apenas me defender na Justiça. Deixa ele tomar as medidas administrativas que ele julgar necessárias”. Garantiu que não haverá caça ás bruxas, embora tenha demitido meio mundo de pessoas ligadas ao PT que ocupavam cargos comissionados. Salame disse que pretende retomar o diálogo com servidores, melhorar a limpeza da cidade e pretende recompor a mesa de negociação com servidores. Sobre as postagens recentes do vice-prefeito Luiz Carlos Pies, que após deixar o cargo de prefeito interino afirmou que Salame pegou a Prefeitura com R$ 75 milhões em dívida e foi afastado com um rombo de R$ 150 milhões, João disse que lamenta as declarações de seu vice e disse que nunca foi desleal a ele ou ao PT, tendo apoiado a candidatura do filho de Pies (Dirceu ten Caten) para deputado estadual. “A dívida não era de apenas R$ 75 milhões, era muito maior”, afirmou. (Correio Tocantins)

DEIXE UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: folhadobico@hotmail.com que iremos analisar.