f_Rio (1)

A cada ano os efeitos devastadores das agressões ambientais nas áreas onde ficam as nascentes que alimentam o Rio Parauapebas são visíveis. Ano a ano, o rio que dá nome ao município mais rico do Pará está secando e sendo consumido pela poluição do esgoto que é despejado sem qualquer tratamento em seu leito, de onde – irônica ou tragicamente – é captada a água que abastece a cidade. No ano passado, a estiagem deixou o rio praticamente seco em vários pontos, tornando possível sua travessia a pés descalços de um lado a outro da margem. Este ano, a realidade é ainda pior.

Em alguns trechos, apenas filetes de água lutam para transpor os pedrais, que emergem do seu leito, e dar sequência a vida ameaçada do rio, que é o maior da Região de Carajás. As equipes de reportagem da TV e Jornal CORREIO, em Parauapebas, produziu ampla matéria jornalística, mostrando a situação em que se encontra o rio em vários trechos.

Em 2015, após uma forte enxurrada, vários peixes morreram em situação que até hoje a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) não sabe explicar. O laudo para atestar o que provocou a morte dos peixes nunca foi divulgado. Não se sabe nem se chegou a ser feito.

Aliás, o governo municipal é reticente quando o assunto é a situação do Rio Parauapebas. Com uma dos maiores orçamentos do País, o município se cala quando a questão é a falta de um sistema de tratamento de esgoto, que amenizaria os danos ambientais ao curso d’água mais importante do Vale de Carajás.

Além do esgoto, o Parauapebas agoniza com a devastação criminosa de suas matas ciliares e da retirada de areia e seixo de seu leito, assim como o assoreamento de igarapés e córregos que alimentavam suas águas, da mesma forma que a morte de nascentes com o avanço dos projetos minerais, pecuária e de expansão urbana. Esse conjunto de fatores é uma sentença de morte para o rio , que já reinou imponente antes do homem começar a dizimá-lo.

Com 350 quilômetros de extensão e correndo na direção sul-norte, o Parauapebas foi genuinamente marabaense. Com a emancipação, passou a ser integralmente de Parauapebas. Porém, após a criação de Canaã dos Carajás e Água Azul do Norte, sua nascente ficou localizada neste último município. Formado pela junção do Ribeirão do Caracol com o Córrego da Onça, ele recebe pela margem esquerda o Córrego da Goiaba, os igarapés Gelado e da Gal, e os rios Sossego e Sapucaia; pela margem direita recebe o Igarapé Ilha do Coco e os rios Plaquê, Verde, Novo e Caracol. Não confundir o Rio Caracol com o Ribeirão do Caracol, que são cursos de água distintos.

Em seu alto curso até o Rio Sossego, o Parauapebas é conhecido entre os ribeirinhos como Caracol ou Plaquê. Também recebe o nome de Rio Branco em seus cursos médio e baixo. Ele só é navegável por pequenos barcos em trechos limitados, haja vista ser cheio de corredeiras e pequenas cachoeiras. Por conta dos danos ambientais, até as áreas que eram caudalosas, agora estão em nível crítico, com vazão cada vez menor.

No trecho que corta a áreas da Palmares, em Parauapebas, próximo a estrada de Ferro Carajás, há um lixão. Parte desse material também acaba indo parar dentro do rio. A falta de consciência ambiental de algumas pessoas também agrava a situação. Quem costuma frequentemente usar o rio como lazer não se preocupa em fazer sua parte, fiscalizando e evitando atirar lixo em suas margens e leito.

Em um dos balneários, que tem grande movimento, principalmente aos fins de semana, latinhas de cervejas e garrafas pets enfeiam suas margens, sendo mais um obstáculo aos filetes de água, já que o local está praticamente seco e esses materiais levam anos para se decompor na natureza.

Área urbana

Na área urbana da cidade, o Parauapebas é castigado pelo esgoto e despejo de todo tipo de material poluente. Por conta do processo acelerado de degradação, o rio que já foi berçário de várias espécies de peixe e que serviam de fonte de alimento para as populações nativas, agora está praticamente estéril.

Só em alguns locais, onde há maior volume de água, é que ainda se vê o movimento da vida, como em um desafio de sobrevivência. (Tina Santos/Correio Tocantins)

COMPARTILHE

DEIXE UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: folhadobico@hotmail.com que iremos analisar.