Cerca de mil famílias passaram a ocupar as casas em obras do residencial “Cristo Vive”, construído em 2012 com recursos do programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida'” em Tucuruí, no sudeste paraense. A ocupação, feita desde a semana passada por integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens, causou preocupação em beneficiários.

A dona de casa Maria José Alves dos Santos conta que estava cadastrada para receber uma das casas e fazia planos se mudar logo com a filha, que tem necessidades especiais.

“Eu ganho um salário mínimo, compro fralda, remédio, pago, luz, aluguel… O dinheiro é muito pouco. Estou aguardando essa casa porque é a solução para a minha vida é ter um teto”, lamenta.

Em janeiro deste ano já era possível constatar a situação de abandono da obra: as casas estavam sendo invadidas pelo mato e se deteriorando pela ação do tempo. O fato foi usado como argumento para os ocupantes tomarem conta da área.

“Uma obra que já deveria ter sido concluída e entregue e se arrasta em torno de cinco, seis anos. Na verdade, não é uma invasão, não é uma ocupação. Nós estamos tomando conta daquilo que é do povo”, justifica Roquevan Alves da Silva, integrante do Movimento.

“A gente quer que viabilize o mais rápido possível essa situação porque isso aqui é uma posse pacífica, ninguém está aqui para fazer barraco, entrar em guerra com ninguém”, argumenta o eletrotécnico Harlen Almeida, que também ocupa uma das moradias.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), dos R$ 51 milhões necessários para a construção do residencial, a Caixa Econômica Federal já teria repassado mais de R$ 33 milhões para uma empresa que não concluiu a obra e teve o contrato cancelado. Uma outra empresa assumiu o serviço, mas o trabalho não recomeçou.

A Tech Casa, empresa responsável pela construção das casas, informou que a obra estava parada devido ao atraso no repasse da Caixa, com isso, até os salários dos funcionários estariam atrasados, e que na última sexta-feira (4), o pagamento teria sido feito com recursos próprios. Sem o repasse do valor pela Caixa, os funcionários do residencial foram remanejados para outra obra da empresa no município. A empresa informou ainda que ingressou com uma ação na Justiça pedindo a reintegração de posse e desocupação da área.

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