Na surdina e contrariando suas próprias promessas, o governador do Estado, Simão Jatene, prorrogou por mais 7 meses o contrato com a empresa Arapari Navegação LTDA para fazer a travessia marítima de pessoas e cargas por meio de lancha na entrada e saída de Moju. O contrato nº 17/2005, da Secretaria de Estado de Transportes, foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) na última sexta-feira (18). De acordo com o DOE, a Arapari Navegação, que pertence à família da deputada estadual Ana Cunha (PSDB), aliada do governador, vai se beneficiar com mais R$1.119.552,00 para realizar a travessia, o equivalente a R$159 mil/mês até o fim do contrato, em abril de 2016.

Na prática, isso significa que a ponte do Rio Moju não ficará pronta no fim deste ano, último prazo determinado pelo governador Simão Jatene para a conclusão da obra. A Arapari já realiza a travessia de balsa do Rio Moju desde 2014, quando a ponte foi quebrada e agora também fará a travessia de lancha. Até quinta-feira passada a travessia de lancha para passageiros que chegavam e saíam de Moju era feita pela empresa LP da Silva Rent a Car, no valor de R$152 mil/mês, R$7 mil a menos do que o novo contrato celebrado com a Arapari Navegação.

De acordo com publicações no Diário Oficial do Estado e no portal da transparência do governo estadual, somente em 2014, três empresas – Henvil Transportes LTDA, Navegação Confiança LTDA e a Arapari Navegação LTDA – faturaram cerca de R$ 15 milhões. A previsão do próprio governador, em entrevistas concedidas à imprensa, é que os novos contratos assinados até o fim deste ano somem mais R$20 milhões. Ou seja, em dois anos o Governo do Estado prevê gastar R$35 milhões em contratos de aluguel de balsas e lancha. Com esse novo contrato, o governo de Jatene gastou em serviços terceirizados o equivalente à recuperação total da ponte, orçada em R$ 37.800 milhões.

Prorrogações

Pertencente ao Complexo da Alça Viária, a ponte sobre o Rio Moju possui 900 metros de extensão e liga a capital aos municípios do Baixo Tocantins e sul do Pará. No dia 23 de março de 2014, uma balsa que transportava dendê colidiu com um dos pilares de sustentação da estrutura, provocando a queda de cerca de 50 metros da ponte.

Na época, Simão Jatene anunciou que a recuperação da ponte ficaria pronta em seis meses. Desde então, o prazo já foi prorrogado por três vezes. Uma placa no local também indicava o valor total da obra e o prazo par ao fim da mesma, de 5 meses, desde 19 de setembro de 2014.

Até o momento a recuperação se restringiu à colocação das estacas de sustentação do pilar que despencou e à retirada das duas “línguas” que ficaram penduradas com o acidente. (Leidemar Oliveira/Diário do Pará)

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