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A construção de um ramal ferroviário em Parauapebas, no sudeste do Pará, estaria provocando transtornos para a população. Os moradores dizem que o uso de explosivos na obra provocou rachaduras nas casas de um condomínio e também teria prejudicado o abastecimento de água em três bairros da cidade.

Do alto da cidade, é possível ver um reservatório com pouca água. Ao lado, existia um morro que foi detonado para a construção de um túnel, por onde passará a ferrovia. Fotos feitas em janeiro de 2014, antes das obras começarem no local, mostram o reservatório cheio, com capacidade para 300 milhões de litros de água. A represa abastecia cerca de 16 mil moradores de três bairros vizinhos da obra. Há um mês, a captação ficou inviável e os moradores só conseguem água por meio de caminhão pipa.

Moradores dizem que depois que a obra teve início, outros problemas começaram. As placas informam o dia e o horário das detonações, mas a comunidade não foi informada dos transtornos causados pelo impacto das ações. De acordo com a associação de moradores, pelo menos 200 casas já apresentaram rachaduras.

Uma das casas atingidas tem dois anos de construída, mas no mês passado, foi preciso colocar uma armação feita de ferro e concreto para segurar duas paredes. Segundo a dona de casa Isa Leite, depois das detonações, rachaduras apareceram nas paredes da sala, do quarto e da cozinha. Do lado de fora, a fenda é bem mais visível. “Medo de chegar o inverno e não dar conta, ela não se sustentar”, diz.

Em uma rua ao lado de um condomínio fechado, moradores também já sofrem as consequências das detonações da obra. Várias casas estão rachando. A equipe de reportagem não foi auitorizada a entrar no local. Fotos cedidas por um morador mostram o problema, encontrado em pelo menos 30 residências.

O ramal ferroviário que está sendo construído no sudeste do Pará terá 101 km de extensão e, quando ficar pronto, será o principal meio de escoamento do minério a ser extraído em Canaã dos Carajás. Em Parauapebas, o ramal vai se interligar com a estrada Ferro Carajás até um porto em São Luiz, no Maranhão.

“Para que fosse feita essa obra, nós exigimos algumas condicionantes, e essas compensações não foram cumpridas durante esse período de execução da obra. Além disso, o alvará venceu em setembro e eles não renovaram o alvará, esse foi um dos motivos do embargo da obra”, afirmou o prefeito de Parauapebas, Valmir Mariano.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPE) já recebeu denúncias sobre os problemas mostrados na reportagem. “O que o Ministério Público pode e vai fazer é produzir essa prova com laudo pericial que comprove ou não uma relação entre a obra e esses prejuízos”, disse o promotor de Justiça, Hélio Rubens.

Sem água na torneira e com rachaduras no piso e nas paredes da casa, a dona de casa Maria Lucineide Martins vive um pesadelo. “Eu sou pobre, né? Para eu fazer isso aqui, foi um sacrifício imenso, aí vai e acontece isso e a casa fica rachada, tem que dar um jeito”.

A Vale, responsável pelo empreendimento, já conseguiu na Justiça o direito de retomar as obras do ramal ferroviário. A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2016. Em nota, a mineradora informou que a atividade de detonação obedece os requisitos legais e as normas vigentes e que a prática é monitorada com uso de equipamentos e pessoal especializados. A empresa disse ainda que os resultados estão de acordo com os parâmetros técnicos exigidos e que não há relação entre a atividade de detonação e a falta de água. (G1)

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