A praia do Conde, em Barcarena, nordeste do Pará, foi interditada pelas autoridades ambientais por causa de um vazamento de óleo, ocasionado pelo naufrágio do navio de bandeira libanesa Haidar, que carregava cinco mil bois vivos na última terça-feira (6).

A praia está interditada e proibida para qualquer tipo de atividade. De acordo com a Companhia Docas do Pará  (CDP), a embarcação transportava cerca de 700 toneladas de combustível. Ainda segundo a CDP, o óleo pode chegar em outras praias da região.

O navio naufragou na manhã da última terça-feira (6) no porto de Vila do Conde , em Barcarena, no nordeste do Pará, quando estava carregado com cerca de cinco mil bois vivos. A carga era da multinacional Minerva, de Barretos (SP).

Na manhã desta quarta-feira (7), uma reunião ocorreu no Porto de Vila do Conde e reuniu autoridades municipais, estaduais e federais. No encontro foi criado um comitê gestor de gerenciamento de crise para o caso do naufrágio.

Investigação

Em Belém, também ocorreu uma reunião nesta quarta- feira com autoridades ambientais, onde foi montado um planejamento que possa diminuir os danos ambientais provocados pelo acidente.

O superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda, ficou impressionado com o que encontrou no Porto de Vila do Conde. Para ele, o naufrágio da embarcação foi uma tragédia. “Principalmente pelo fato de as empresas responsáveis pelo transporte e pelos animais não terem tomado nenhuma atitude no resgate dos poucos animais que escaparam vivos. Esse fato foi notificado e informado para a empresa na hora que isso da causa à auto de infração por maus tratos”, explica.

As empresas notificadas têm até cinco dias para apresentar uma explicação. São elas: Minerva Foods, Serveporte e Global Agência Marítima e a Companhia de Docas do Pará. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), pouco mais de 100 bois foram resgatados com vida. A maior parte morreu afogada e muitos animais não conseguiram sobreviver porque teriam ficados presos no porão do navio.

O acidente também provocou danos ambientais ao ecossistema da região. ”A contenção do óleo deve ser feita com boias, que são colocadas como se fossem correntes. Isso não foi feito de maneira efetiva. A mancha de óleo já chegou em praias da região  e, se ela continuar se espalhando, o dano vai ser muito maior”, ressalta o superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda.

Ainda segundo o Ibama, ainda há 730 mil litros de diesel na embarcação submersa. A previsão é que o esquema montado para a retirada do navio, dos animais, além da limpeza da área, seja concluída em 40 dias. O custo da operação deve ser de R$150 mil por dia.

Embarcação já apresentava sinais de naufrágio

Um vídeo cedido pelo Sindicato dos Portuários do Pará e do Amapá mostra que a embarcação já balançava desde a madrugada da última terça-feira(6).

“Isso traz à tona um problema que a gente já vem questionando junto à empresa e  também junto ao Ministério Público do Trabalho, que é a questão do procedimento de amarração. Nós fizemos uma mesa redonda com os colegas que trabalham na amarração a algum tempo  e  eles relataram que as cordas responsáveis pelo navio estavam frouxas , fazendo com que a embarcação balançasse muito. Isso pode ter causado um estresse nos animais.

Moradores revoltados

Os pescadores, barraqueiros e moradores de Vila do Conde estão revoltados com a falta de informações sobre a real situação do local. Eles cobram das autoridades um empenho maior com relação à assistência que eles vão receber enquanto as atividades estão paradas na praia do Conde.

Na manhã desta quarta-feira, a população bloqueou  a rampa de acesso à praia do Conde, cobrando explicações das autoridades. A manifestação impediu o acesso de caminhões da prefeitura que realizavam a retirada de óleo do local.

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