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Quando dona Teodora nasceu, a Coca-Cola tinha acabado de ser lançada, o telefone mal havia chegado ao Brasil, o nosso planeta ainda não tinha passado por nenhuma guerra mundial e Belém era uma jovem cidade de 284 anos. Há pouco mais de 2 meses, Teodora Maria de Alcântara completou exatos 115 anos de vida, tornando-se, assim, a sexta mulher mais velha do mundo. Nascida no dia 18 de agosto de 1900 Teodora é paraense, natural de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó.

Registrada como Teodora Maria de Alcântara, sob o número 89378, do Livro 92, Folha 199V do cartório, ela se mantém firme e demonstra lucidez impressionante. Fala com desenvoltura, está sempre de bom humor e é dona de admirável simplicidade. Com enorme coração de mãe centenária, ela se orgulha em dizer que, até hoje, cuida dos filhos, com idades entre 85 e 51 anos.

Com energia para subir e descer, várias vezes ao dia, a escada de três degraus na porta da sua casa, dona Teodora mora num sítio humilde, na localidade Japum, onde o tempo realmente parece ter parado. Ao receber a reportagem , ficou desconfiada e quis saber quem estava interessado em falar com ela. “Quem é o senhor?”. Após as devidas apresentações, ela emendou, sorrindo: “Ah, é aquele moço que fala na rádio, toda manhã”. E gritou, para toda a família ouvir: “Avisa que JR Avelar está aqui!”. Logo, o lugar ficou tomado de filhos, netos, bisnetos e vizinhos, bem do jeito que dona Teodora gosta.

Prova da sua vitalidade é que, no dia em que conversou com o DIÁRIO, ela havia acabado de chegar de um protesto de moradores, na frente da Prefeitura, para cobrar a instalação da rede elétrica. “Se o prefeito não der resposta, vamos fechar novamente o ramal”, disse, com firmeza. Como explicar a longevidade? Dona Teodora conta que não tem do que se queixar. Dorme cedo e acorda com o nascer do Sol. E tem um hábito: fuma um cachimbo, todos os dias, antes de dormir. Coisas de uma jovem de 115 anos.

A velhinha é valente

No ano passado, dona Teodora Alcântara experimentou a sensaçãode insegurança, que também chegou à distante comunidade do Japum, onde mora com o filho mais novo. Foi um assalto à noite. Dois homens e uma mulher bateram na porta da vovó. E como é o costume no interior, o atendimento foi amistoso. Poderia ser alguém precisando de algo. Dona Teodora dormia na rede, quando ouviu homens dizendo que “era um assalto”. Eles ordenavam ao filho que desse todo o dinheiro da casa. O desfecho: armada de um terçado rabo-de-galo, que se tornou o companheiro inseparável, a vovó investiu contra os assaltantes, que acabaram fugindo. (Diário do Pará)

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