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Casa onde funciona a Atei foi local de assassinato na última quarta-feira

O assassinato do empresário Carlos Henrique Oliveira, o Nhac, ocorrido na manhã da última quarta-feira, em uma casa onde funciona a Associação Tocantinense de Esportes Intelectuais (Atei), na Quadra 206 Sul, região Central da Capital, que abrigava um cassino clandestino, segundo a polícia, não surpreendeu os moradores da região. Os vizinhos da residência foram unânimes em afirmar que diante das atividades que aconteciam na casa a tragédia tardou em acontecer.

“A imprensa em geral trata como clandestino. Clandestino nada, todo mundo sabia disso aqui. A polícia sabia. Essas coisas não acontecem de forma isolada. Quem está por trás disso é gente da elite e que tem conexões em várias esferas ou não abriria um negócio como esse no centro da cidade. Lá acontecia tudo o que você puder imaginar, e essa morte até demorou acontecer”, contou um vizinho da casa, que pediu para não ser identificado.

Ameaças

Ele ressaltou que a movimentação na casa incomodava a rua inteira, mas que a situação era complicada. “Já fui ameaçado para não denunciar. Disseram-me pra tomar cuidado para que nenhum acidente acontecesse comigo, isso inclusive foi dito por uma autoridade”, afirmou, acrescentando que a comunidade tentou respaldo perante a polícia, mas não obteve.

“A polícia foi chamada inúmeras vezes e, quando mandava uma viatura checar, nada mudava. Quem vai tomar providência? Eles não vão fechar isso aqui”, denunciou o morador.

Outro vizinho, que também não quer divulgar seu nome, por medo de represálias, disse que já houve várias reuniões entre moradores da quadra para falar do assunto. “Quem mora de aluguel vai embora. Quem trabalha o dia todo, chega em casa e quer descansar, mas com o barulho aqui é impossível”, disse, ressaltando também que “a tragédia tardou acontecer”.

De acordo com os moradores ouvidos, a movimentação na casa era intensificada a partir de quinta-feira, principalmente no período noturno. A música e os barulhos mais altos já podiam ser ouvidos no período da tarde.

Para o delegado João Sérgio Kenupp, que investiga o crime, a casa funciona como um cassino clandestino, onde se apostam valores altíssimos. Os frequentadores seriam apenas pessoas de alto poder aquisitivo.

SSP

Conforme o diretor de Polícia da Capital, delegado Raimundo Cláudio Batista, será montada uma equipe para reforçar o efetivo da Delegacia de Costumes, Jogos e Diversões Públicas, que irá intensificar as fiscalizações e investigações sobre a regularidade de funcionamento de casas onde possivelmente estejam ocorrendo práticas de jogos de azar.

Segundo Batista, os jogos realizados mediante aposta são tidos como contravenção e a pena é de prisão para quem promove o jogo e multa para quem pratica, mas a grande dificuldade não é saber onde ocorrem, mas sim identificar se há apostas. “É difícil combater, porque para caracterizar como ilegal precisamos da flagrância de que eles estavam jogando apostado. Não é a atividade de jogar que é ilegal, mas o fato de apostar que é ilícito”, explicou.

Quanto ao fato de que os vizinhos em diversas ocasiões teriam contatado a polícia, o delegado informou que, nos últimos seis meses, não há nenhum registro no disque-denúncia sobre a ocorrência dessas atividades. “O ideal seria formalizar a denúncia registrando um boletim de ocorrência, mas a denúncia anônima também abre precedente para investigação”, informou Batista.

Entenda

Carlos Henrique Oliveira, conhecido como "Inhac"
Carlos Henrique Oliveira, conhecido como “Inhac”

Carlos Henrique Oliveira, de 34 anos, conhecido como Nhac, foi assassinado a tiros na casa onde funciona a Atei. A vítima era namorado de Gêneve Duailibe, filha do ex-prefeito de Palmas Raul Filho e da ex-deputada estadual Solange Duailibe.

O crime teria sido motivado por uma suposta dívida de jogos entre ele e o suspeito do crime, Paulo Gomes, o Figurinha. Até ontem, Gomes ainda não havia se apresentado à polícia para prestar informações sobre o caso.

As imagens das 12 câmeras de segurança da casa foram apagadas.

(Com informações do Jornal do Tocantins)

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