Em audiência publica bem agitada realizada na Câmara Municipal de Imperatriz na manhã desta quinta (19), que contou com a presença de promotores, todos os vereadores (apenas dois faltaram por motivo de doença), representantes da Cemar, imprensa e a galeria completamente tomada pela população, foram deliberadas questões contrárias e a favor dos aumentos absurdos nas contas de energia

CEMAR

Enio Leal, gerente de regulação, iniciou a sessão falando dos 12,88% de aumento desde agosto que a Cemar chamou de regularização tarifária baseada nos aumentos de investimentos e custos. O diretor alegou os mais de 12 mil empregos, call center e uma das maiores unidades consumidoras do Maranhão como justificativa aos aumentos que foram todos revestidos em investimentos. “90% dos consumidores são clientes residências e 40% desses são de tarifa social. Tivemos mais de 12 bilhões de investimentos em 4 anos. Os resultados obtidos são a qualidade do serviço e o tempo reduzido de interrupção de fornecimento, que está acima dos padrões exigidos nacionalmente. O órgão regulador (ANEEL) classificou o consórcio Cemar como a melhor operadora do país com destaque para Recife e São Paulo, cidades que também são administradas pelo mesmo grupo.

A revisão tarifária aconteceu em agosto, determinada pela Aneel e coube a Cemar apenas aplicar o percentual. Todo o aumento foi utilizado em comprar e fornecer energia. Hoje damos 65% de desconto para consumidores de baixa renda (tarifa social); 12 mil consumidores tem esse direito em Imperatriz mas não foram em busca do cadastramento através da prefeitura, por isso se vê tanto descontentamento.

Bandeira tarifaria

Pelo que se entendeu da explicação do gerente, além dos 12,88% está sendo aplicado o maior percentual de bandeira tarifaria, imposto pelo governo federal para custear o nível baixo dos reservatórios de hidrelétricas em todo o país, ou seja, a população daqui está realmente pagando pelo que não consome.

Em defesa da população

Wellington Diniz, representante do sindicato dos urbanitários e advogado, ocupou a tribuna em seguida e explicou que a energia elétrica não é algo tão simples, não se trata apenas de ligar e desligar aparelhos e lâmpadas. “Iremos mostrar o que está por trás de todos os pontos que formam a conta de energia. Aumentos exorbitantes privam principalmente as pessoas de baixa renda de terem uma vida digna. Energia melhora produtos, qualidade de vida e desenvolvimento humano”. O advogado disse que se acontece um aumento exagerado se destrói um dos pilares do crescimento econômico e humano. “Todas as pessoas cadastradas no bolsa família devem atualizar seus cadastros pra terem direito a tarifa social e cabe a Cemar divulgar de forma intensa e esclarecer esse direito as pessoas de terem essa tarifa mais baixa”.

Segundo ele a tarifa da Cemar supera todos os estados da região sul e repassou a informação de que o governo federal está para alterar o marco regulatório e com isso aumentar ainda mais os valores cobrados. “Pessoas humildes poderão ficar sem energia elétrica, pois ela ira ser alterada de

acordo com o animo de mercado, irá se tornar uma commoditie, onde se compra energia barata e se vende a preço exorbitante. Um ambiente especulativo para o mercado de energia. Água dos rios não é mercadoria, não pode ser tratada dessa forma. Aqui quando chove menos a energia vem do sul, mas há uma tarifa maior, lá quando tem baixa elevação pluviométrica a energia vai, mas nós é que pagamos esse empréstimo, está tudo errado”.

Sandro Bíscaro, promotor da defesa do consumidor disse que a responsabilidade com o povo é muito grande e é preciso saber se esses reajustes que foram autorizados estão realmente sendo necessárias. “O saldo esta sendo muito negativo para a população e temos que defender o povo desses abusos. Temos respeito a tudo que está acontecendo porque trata-se de uma empresa séria, e teremos responsabilidade com o que for feito, mas iremos sim fazer todos os levantamentos e dar conclusões efetivas ao público.

Vivemos numa república e precisamos nos atentar à lei.

Somos sensíveis as dores da sociedade, e iremos garantir regras justas e legais que serão aplicadas com isenção e responsabilidade. Talões serão submetidos a pericia contábil e técnica.”

O presidente da sessão vereador Aurélio (PT) disse que a casa acredita e confia no Ministério Público, pois este junto com a Câmara são a válvula de escape da população.

“É inadmissível que as mesmas casas, os mesmos consumos e o mesmo seguimento de pessoas tenham suas contas triplicadas. Não é possível que essa situação seja normal, disse o vereador Carlos Hermes.

Espaço para a voz do povo

Silvio Sousa da Associação Viva Deus da estrada do arroz, Wanderley Rodrigues, Antonio Padeiro, Zezé Barros e vários representantes tiverem espaço para falar ,onde pediram que a Câmara vista a camisa das comunidades e alegaram que já se cadastraram diversas vezes, mas nunca houve a inclusão na tarifa de baixa renda. “É uma vergonha termos que nos humilhar para usufruirmos de energia elétrica”.

As associações de bairros e residências de baixa renda alegam que estão pagando contas de ate R$ 500 reais. “Como quem é de baixa renda vai poder pagar contas desses valores. Vão ficar no escuro ou ter que deixar de comer para pagar energia? É um absurdo. A Cemar propôs até congelarmos água e tirar da geladeira pra não ter que abrir a porta; é uma falta de respeito conosco e com toda a cidade”.

“Estamos tendo nossas energias cortadas mesmo estando paga, duas três noites, quem vai pagar nossos prejuízos, a quem iremos recorrer? Estamos desesperados”.

Segundo eles a Cemar não respeita a população e nem a Câmara, pois trocam medidores e as contas estão triplicando. “Temos que ficar no escuro e sem poder usar nossos eletrodomésticos”.

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