Grupos de manifestantes protestaram contra a licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o início da operação da usina hidrelétrica de Belo Monte, no sudoeste do Pará. Na capital federal, indígenas da região do Xingu reclamaram que não houve consulta prévia aos povos afetados pelo empreendimento antes da emissão de autorização para o funcionamento da usina.

A manifestação ocorreu durante o anúncio da medida, quando a presidente do Ibama, Marilene Ramos, foi interrompida no momento em que concedia uma entrevista coletiva. O documento garante a permissão para que o reservatório seja cheio em até 40 dias para o início de geração de energia pela hidrelétrica.

De acordo com o Ibama, a licença lista 41 obras e serviços que devem ser cumpridos pela Norte Energia, e em caso de descumprimento, a empresa pode perder a autorização. Em nota, a Norte Energia informou que já investiu R$ 4 bilhões em ações socioambientais nos cinco municípios da área de influência de Belo Monte.

O dia também foi marcado por protesto de oleiros em Altamira, no sudoeste paraense, que reclamam que apenas parte dos trabalhadores teria recebido indenizações da empresa responsável pelo empreendimento. O grupo que não conseguiu obter o benefício quer ser reconhecido como atingido pela obra e também receber compensações pelas perdas. A Norte Energia afirmou que a negociação com a categoria já foi encerrada, sob acompanhamento da Defensoria Pública, e reforça que já atendeu o pedido de todos que, comprovadamente, exerciam a atividade no período de cadastros realizados pela empresa.

“Temos famílias aqui que moravam dentro de olarias e foi tomado seu espaço de trabalho, sua moradia. Famílias, crianças, pais e mães estão desamparados, todo mundo está desempregado”, afirma o oleiro Carlos Silva Souza.

“Muita gente que morava lá dentro ficou sem casa também porque o lugar que tinha para morar era lá e agora está na rua, pagando aluguel, mas como, sem trabalho, sem dinheiro?”, denuncia  José Bruno Santos da Silveira. (G1)

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