Animais mortos em naufrágio no porto de Barcarena acumularam-se nas praias do município, contaminando o rio e afetando o cotidiano das comunidades locais
Animais mortos em naufrágio no porto de Barcarena acumularam-se nas praias do município, contaminando o rio e afetando o cotidiano das comunidades locais

Mais de um mês após a tragédia ambiental em Barcarena, no nordeste do Pará, o Ministério da Integração Nacional (MI), através da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), reconheceu a situação de emergência no município em função do derramamento de produtos químicos que afetou o meio ambiente e as comunidades locais depois que um navio que transportava cinco mil bois vivos naufragou em outubro deste ano. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira (11).

O naufrágio aconteceu no cais do porto da Companhia das Docas do Pará (CDP) de Vila do Conde, em Barcarena, duas horas depois da embarcação, de bandeira libanesa, ter tombado. Somente pouco mais de 100 bois foram resgatados e o combustível vazou do interior do navio, chegando até as praias e contaminando o rio. Muitas das carcaças dos animais mortos emergiram e se acumularam nas areias das praias do município, até que uma uma barreira de contenção foi colocada para impedir que o gado morto fosse levado pelas águas. Os moradores da área fizeram vários protestos para denunciar a ausência de ações das autoridades em relação aos impactos, como o forte odor do óleo diesel e contaminação da água da região, utilizada para consumo doméstico e fonte de alimento para os ribeirinhos.

Mancha de óleo se espalhou nas águas após ruptura de barreira de contenção
Mancha de óleo se espalhou nas águas após ruptura de barreira de contenção

No dia 13 de outubro, a prefeitura de Barcarena decretou situação de emergência no município e as carcaças dos bois começaram a ser retiradas. Houve distribuição de máscaras para a população. Já no dia 14, a Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sespa) iniciou a distribuição de água potável e caixas de hipoclorito de sódio para purificar a água dos poços artesianos. A Justiça Federal do Pará indeferiu no dia 20, o pedido feito pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual e pela Defensoria Pública no dia 15 de outubro requerendo o fechamento do porto de Vila do Conde. De acordo com o juiz federal Ruy Dias de Souza Filho, os órgãos não conseguiram provar a real necessidade de paralisação integral das atividades do porto para a retirada dos resíduos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

A Prefeitura de Barcarena informou que enviou a Brasília o plano de resposta ao desastre do porto da CDP com os custos das ações para atender às famílias afetadas pelo problema. Segundo a Prefeitura, o reconhecimento da situação de emergência e o plano apresentado representam a garantia de que o Governo Federal deve destinar recursos ao município. (G1)

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