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A costureira Geoneide Mota está entre os 134 mil maranhenses que vieram para o Tocantins em busca de uma vida melhor. De um total de 450 mil migrantes existentes no Tocantins – pessoas que nasceram em outros estados, mas moram aqui -, 29,7% são do Maranhão, ou seja, representam a maioria dessa parcela da população do Estado mais novo do Brasil.

Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada neste mês pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento identifica a população por lugar de nascimento e local de residência. Segundo os dados, no Tocantins 30% dos moradores não são naturais do Estado, ao passo que pouco mais de um milhão de pessoas podem ser consideradas “tocantinenses legítimos”.

Geoneide e o marido chegaram a terras tocantinenses em 2003, graças a uma oferta de emprego. “Meu esposo veio trabalhar com vendas de caminhões”, lembra. Em Imperatriz, ela trabalhava com costura e, ao chegar ao Tocantins, o número de clientes aumentou.

image (1)Há um ano ela realizou o sonho de abrir uma loja de aluguel de roupas. “Desde muito cedo eu tinha essa vontade. Comecei com um negócio pequeno, mas quero ampliar”, planeja a costureira, que hoje já conta com a ajuda de três funcionarias – duas na loja e uma no ateliê. “Nossa vida mudou uns 70% para melhor depois que mudamos para cá. Com três anos aqui, a nossa renda dobrou”, garante.

Hoje, apesar da saudade da terra natal, Geoneide pretende continuar no Tocantins. “Eu tinha sonho de voltar para Imperatriz, mas quando olhamos para Palmas, não temos dúvidas. Vamos ficar por aqui mesmo. Não tenho coragem de abandonar”, decreta. Na Capital, a família criou os filhos e ganhou netos.

“Tem uma coisa que eu nunca esqueço. Meu marido veio morar aqui primeiro, e eu ficava em trânsito entre Palmas e Imperatriz. Quando eu chegava aqui, ainda estava amanhecendo, via as luzes e uma cidade tão bonita que me encantava. Não tiro essa imagem da cabeça”, finaliza.

“Piauitins”

O vendedor Gilson Barbosa também lembra bem de quando chegou à Capital. “Dois prédios, muita poeira e uma rodoviária de madeirite”, descreve. Ele veio ao novo Estado para recomeçar a vida. Ao lado dele, já são 42 mil piauienses no Tocantins, a terceira maior população de migrantes por aqui. Os nordestinos daquele estado, porém, ficam atrás dos nascidos em Goiás, que representam 22% dos migrantes, ou 99 mil goianos em solo tocantinense.

“Vim sem saber nem para que lado ficava Palmas. Fui chamado de louco”, lembra. Foi aos 17 anos que Barbosa saiu de Teresina, no Piauí, em um ônibus – que pagou com dinheiro emprestado – e seguiu pela BR-153.

O vendedor não teve medo de arriscar. Veio atraído pela promessa da nova Capital e a perspectiva de crescer. “Quando cheguei, fui trabalhar como vendedor de picolé, ajudante de pedreiro, depois entrei para ramo das tintas, como motorista, vendedor, gerente, e é onde estou até hoje.” Com o tempo, ele também conheceu atual esposa, tocantinense de Dianópolis, com quem teve dois filhos.

“O que eu faço questão é dizer que sou Piautins”, brinca. Barbosa diz que não vai abrir mão das origens, mas também não perde a oportunidade de falar que foi aqui onde construiu a família, a vida profissional e fez amigos.

Futuro

Por outro lado, o estudante de arquitetura da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Lothar Bastos não lembra de como era a Capital quando chegou, isso porque tinha apenas três anos de idade ao deixar Belém, no Pará. Ele faz parte de uma parcela da população tocantinense que não nasceu aqui, mas cresceu no Tocantins. “Minha mãe conta que era bem difícil. Ela não conhecia ninguém, era uma cidade nova”, acrescenta.

Apesar de ter vivido a maior parte de sua vida no Tocantins, Bastos não nega as origens. “Eu sou metade dos dois”, declarou, lembrando que viaja muito para o Pará, mas que ele, o pai, a mãe e os irmãos tentam convencer os familiares a vir morar na capital tocantinense. “A família do meu pai já está toda aqui em Palmas. A gente foi trazendo aos pouquinhos, puxando todo mundo.”

A família de Bastos está entre os 40 mil paraenses identificados pelo IBGE. O Pará representa o quarto estado na lista de migração para o Tocantins, seguido de Minas Gerais com 32 mil e do Ceará com 21 mil. Apenas os estados do Acre, Amazonas, Amapá e Roraima, segundo a pesquisa, não registraram o número mínimo de mil migrantes para pontuar no ranking.

Atrativos

Segundo o professor de geografia da Universidade Federal do Tocantins, Atamis Foschiera, esses dados de migração são resultado do alto nível de investimento que o Estado oferta. “O Tocantins é a nova fronteira em expansão”, declara.

Como é um Estado novo, o professor explica que existe um “discurso” de oportunidades de emprego em diversas áreas, maior ocorrência de concursos públicos, a questão da expansão agrícola e a própria abertura e ampliação da educação superior no Tocantins atraem os migrantes.

Ainda de acordo com Foschiera, isso é positivo, pois o Estado cresce. No entanto, é preciso ter cuidado. “Nesse processo de expansão é necessário um jogo de cintura para não atrair um excesso de pessoas e ocasionar conflitos urbanos e agrários”, esclarece. (Jornal do Tocantins)

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