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Após 10 anos e 1 mês do homicídio do casal de cabeleireiros Nailton Santos Silva (Ney) e Adriana Fernandes da Rocha, dois acusados pelo crime vão a júri popular em Araguatins, na próxima terça-feira, dia 29, no Fórum local. Elvis Gomes Ferreira e Renato da Silva Gonçalves serão julgados, como culpados do assassinato que chocou a população na época, pelos requintes de crueldade e covardia.

Segundo a denúncia que pesa contra Elvis e Renato, baseado nos testemunhos e nas provas técnicas, a dupla teria agido de maneira premeditada e conscientes do ilícito, usando dois revólveres, motivados por pretexto torpe, fútil e a traição.

Exames constataram ainda que Adriana estava grávida de quase três meses e que os acusados tinham conhecimento da situação.

O Crime

No dia 24 de outubro de 2006, por volta das 23h, o indiciado Elvis Gomes, portando um revólver calibre 38 e outro de calibre 32, invadiu a residência de Ney e Adriana, saltando o muro que separa o quintal da casa das vítimas, do quintal da residência onde Elvis mantinha uma casa de entretenimento, denominada “X Game”, que confrontava também com o salão de beleza do casal, denominado “Ney Cabeleireiro”. Elvis encontrou a porta dos fundos da casa aberta, entrou sorrateiramente, encontrando Ney de costas e efetuou o primeiro disparo, sem chances ou tempo da vítima esboçar qualquer reação.

Com Ney já prostrado no chão, Elvis efetuou um segundo disparo e se dirigiu ao quarto, onde Adriana estava dormindo e efetuou quatro tiros com a vítima deitada na cama do casal. Os danos causados em Adriana também resultaram em aborto, visto que a vítima estava entrando no terceiro mês de gravidez.

Enquanto Elvis atuava dentro da residência, Renato permaneceu no quintal da casa de entretenimentos “X-Games”, explodindo fogos de artifício, com a finalidade de confundir a vizinhança, com relação aos tiros dos revólveres.

O preparo

Elvis idealizou todo o crime, agendou a data, horário e adquiriu as armas. Renato foi o responsável por limpar os dois revólveres e também por comprar os foguetes. Renato teria participado do delito, de olho na recompensa em dinheiro oferecida por Elvis, com a desculpa que o valor serviria para pagar um curso de informática.

Os motivos

Segundo consta na denúncia, Elvis teria preparado os assassinatos motivado por inveja do sucesso profissional de Ney e Adriana com o salão de beleza, ao passo que o acusado, enfrentava séria dificuldade financeira. O segundo ponto seria um problema com a construção de um muro, separando o quintal da residência de Ney, da casa de entretenimento de Elvis. A divisão do espaço teria causado revolta no acusado. O terceiro motivo, seria uma placa de propaganda do salão. Ney havia feito uma viagem e ao retornar, a placa estava destruída, pois foi propositadamente joga a via pública e diversos veículos passaram por cima do material. Testemunhas avisam para Ney que Elvis teria sido o responsável pela ação. Ney então procurou Elvis que negou te praticado o ato, mas acabou pagando o prejuízo.

O outro lado

Renato da Silva Gonçalves
Renato da Silva Gonçalves

Renato dias depois do assassinato acabou confessando participação no crime, mas afirma que desconhecia que a ação tinha finalidade de causar a morte de Ney e Adriana. O acusado afirma que realmente aceitou participar motivado pelo dinheiro prometido, mas que Elvis teria dito que apenas daria uma “lição”, em Ney, sem em momento algum afirmar ou comentar que mataria as vítimas. Mesmo tendo limpado as armas, deixado no ponto de uso e guardado, Renato nega que sabia a finalidade real do uso dos revólveres.

Elvis Gomes Ferreira
Elvis Gomes Ferreira

Por outro lado, Elvis nega até hoje a autoria do crime e acusa o parente de Ney, o também cabeleireiro Elielson Moreira Santos, conhecido como Sandrinho. Este foi preso no início do caso, mas no desenrolar das investigações não foi encontrado indícios de sua participação no crime. Mas Elvis insiste na acusação e afirma que apenas escondeu em sua residência os dois revólveres, após flagrar Sandrinho pulando o muro após o crime e ser ameaçado pelo mesmo para esconder as armas. Elvis jamais procurou a polícia após o crime para contar o fato, fazendo isso apenas após de ser denunciado.

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