15039649_1818702268352516_2405774788455121324_o

Na quinta-feira, 10, aconteceu o I Workshop: Cheias e Secas do Rio Tocantins. O evento idealizado pelo Consócio Estreito Energia (CESTE), aconteceu no Centro de Visitantes da Usina Hidrelétrica, localizado na BR-230, em Estreito-MA. Segundo o gerente do CESTE, a seca do Rio Tocantins não é causada pela hidroelétrica.

Durante o encontro que tinha como tema “O papel da Usina Hidrelétrica de Estreito e da Defesa Civil”, foram abordadas várias temáticas, dentre elas, os impactos da Usina com a seca do Rio Tocantins, tema que fora discutido entre a Comissão Parlamentar do Estado do Maranhão; deficiência hídrica; evolução das secas, impactos ambientais e sociais; importância da água, entre outros.

Na ocasião, técnicos do CESTE explanaram questões relativas à Usina Hidrelétrica de Estreito; ENGIE Brasil Energia; Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e sobre a importância das Defesas Civis nos municípios que constituem a abrangência da UHE Estreito.

Segundo os técnicos do CESTE, a defluência praticada pela UHE durante o período seco é superior à vazão afluente natural no local do aproveitamento. Ou seja, somente durante um curto período de tempo operou-se com defluência inferior à vazão afluente natural, tendo em vista que seu armazenamento encontra-se abaixo do nível mínimo operativo.

dsc_0502

O empresário da Empresa PIPES e dono do Resort Pedra Caída, Pedro Iran, disse que a UHE Estreito possuiu uma parcela de contribuição para a seca do Rio Tocantins. “Desde 1952 que estou morando às margens do Rio Tocantins e garanto que essa é a pior seca de todas. A seca realmente foi braba e a hidroelétrica não querendo perder a produção de energia, fechou demais a vazão do reservatório e prejudicou a população dos municípios”, pontuou.

De acordo com dados estatísticos, a seca no Rio Tocantins de 2016, já supera a do ano passado. A desde ano é considerada como a mais severa desde a década de 70. “Devido à grande severidade do período seco em 2016, a UHE Estreito vem operando com uma média de geração em tono de 20% de sua capacidade máxima de produção, cujo valor corresponde a 1.087MW”, pontou o coordenador de pré-operação, José Vicente Miranda Rescigno.

Sobre o rebaixamento dinâmico do reservatório da UHE Estreito, a regra visa uma proteção à região localizada a montante do aproveitamento. Ao mesmo tempo, o rebaixamento do reservatório é limitado à vazão afluente de 14.350 m³/s, que corresponde à vazão próxima ao TR de 2 anos.

Há cinco anos o Rio Tocantins vem sendo atingido pela seca. Conforme o gerente geral do CESTE, João Rezek Junior, 2016 é o pior ano da seca na bacia do Tocantins. “É a UHE Estreito que está causando a seca do Rio Tocantins? Não é o CESTE que está fazendo com que esse fenômeno ocorra. É a situação da bacia do Tocantins que está com níveis inferiores ao seu índice normal”, ressaltou.

Projeções feitas pela equipe técnica do Consórcio revelam que até o final de 2023, a possibilidade de recuperação de armazenamento do reservatório da Hidrelétrica de Serra da Mesa, deva chegar ao patamar de 100%, mas isso dependerá da proporção de chuvas nas regiões dos reservatórios.

A UHE Serra da Mesa é a hidroelétrica responsável por mais de 50% da capacidade de armazenamento de água na bacia do Rio Tocantins e se constitui na principal fonte de regularização de vazões. Por este motivo, o Rio Tocantins é fundamental para toda a região geográfica por ele percorrido.

De acordo com Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em 2016 constatou-se pelo quinto ano consecutivo que as vazões naturais à UHE Serra da Mesa foram inferiores à média histórica de 770 m³/s, ficando em cerca de 55% da média histórica. O atendimento à restrição de vazões defluentes mínimas na UHE Estreito, principalmente na temporada de praias, de 1.000 m³/s, consumiu ao longo dos últimos anos boa parte dos recursos de armazenamento para a bacia do Rio Tocantins na UHE Serra da Mesa.

Ainda de acordo com o ONS, a flexibilização (redução) nas defluências mínimas dos aproveitamentos hidroelétricos permite uma melhor utilização dos estoques da água armazenados no reservatório da UHE Serra da Mesa, assegurando o atendimento dos usos múltiplos na bacia do Rio Tocantins ao longo do ano. “Se vier a ocorrer a série hidrológica média na UHE Serra da Mesa nos próximos anos, poderia se ter a recuperação plena de seu armazenamento ao final de abril de 2019, mas se persistir em ocorrer uma série hidrológica como nos meses de novembro de 2015 e outubro de 2016, deverá se chegar a 40% de seu armazenamento ao final de abril de 2023”, destacou Luís Guilherme Ferreira Guilhon.

O coordenador da Defesa Civil de Tocantinópolis, Emivaldo Aguiar destacou que o encontro serviu para sanar dúvidas e fortalecer o conhecimento acerca das ações atinentes à Defesa Civil, bem como conhecer os procedimentos relativos quanto aos cuidados preventivos durante quaisquer anormalidades que por ventura vier a ocorrer no município.

Além da participação do gerente geral do CESTE, João Rezek, estiveram presentes durante o evento o coordenador da Defesa Civil de Tocantinópolis, Emivaldo Aguiar, a coordenadora da Secretaria da Mulher, Verônica Macedo e o assessor de Comunicação, Dirceu Leno e demais representantes da região tocantina. (Dirceu Leno)

COMPARTILHE

DEIXE UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.