Na véspera de serem conhecidos os membros da comissão especial da Câmara que vai para analisar pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, os deputados federais do Tocantins ainda não têm uma posição sobre o assunto. Ou não a revelam publicamente. Procurados pela reportagem, a maioria evita falar do tema, ora se esquivando, ora argumentando que ainda não é o momento de opinar. Há ainda os ignoraram o assunto considerado, hoje, o principal da política do País.

César Halum (PRB) foi o único que falou de forma mais detalhada sobre o fato, prevendo inclusive que deve vir a sofrer diversas pressões políticas. Contudo, também não disse ser contra ou a favor. Ao dizer que não tem “preferência e nem compromisso com nenhum dos lados envolvidos”, argumentou o porquê de não se posicionar agora: “Não quero e não vou divulgar o meu voto tão precocemente, para não ter que voltar atrás, pois sei das pressões que posso enfrentar, sejam elas partidárias, de lideranças regionais, do próprio governo e da oposição,(…)”, disse .

Assim que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que havia aceitado o pedido de impeachment, o que ocorreu na última quarta-feira, a reportagem procurou os oito deputados federais para que eles falassem sobre o assunto. O contato foi feito por diversas vezes até a última sexta-feira.

Entre os que responderam, houve argumentos cautelosos e também curiosos sobre o porquê da falta de posicionamento. E enquanto só se fala do impeachment no País, três dos oito deputados federais do Tocantins escolheram o silêncio – Josi Nunes (PMDB), Dulce Miranda (PMDB) e Irajá Abreu (PSD).

A partir do comportamento da bancada em relação ao tema, é possível considerar que ela não quer se expor sobre o assunto antes que novas fases do processo sejam vencidas. A comissão especial, cujos membros serão conhecidos amanhã, será composta por 65 deputados titulares e igual número de suplentes.

Semana quente

Após o anúncio dos membros da comissão especial, serão escolhidos, na próxima terça, o presidente e o relator. Dilma e Cunha disputam formas de ocupar esses espaços, considerados relevantes no andamento do processo.

Paralelo a isso, outra decisão está prevista na Câmara, a do Conselho de Ética. Após duas sessões adiadas na semana passada, o colegiado vai se reunir também na terça para votar o parecer do processo contra outro mandato, o do presidente da Casa.

O pedido

Cunha aceitou o pedido de impeachment horas depois que a bancada do PT no Conselho de Ética decidiu votar contra ele no processo de decoro parlamentar. Os votos dos petistas, três de 21 votantes, são considerados fundamentais na decisão. Cunha, porém, nega que sua iniciativa tenha sido por vingança.

O pedido de impeachment foi apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior e denuncia Dilma por supostas manobras contábeis usadas em 2015 para maquiar gastos além dos limites legais.

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