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A Fazenda Cedro, do grupo Agro Santa Bárbara, em Marabá, foi alvo de um ato de selvageria. Homens armados entraram na fazenda, na noite do último domingo, 29 e mataram cerca de 20 vacas. Alguns animais estavam gestantes, aguardando transferência para tratamento especializado. Na madrugada do dia 30 de novembro, o bando entrou novamente na fazenda, e tirou a vida de mais 29 vacas, totalizando quase 50 animais abatidos. As imagens mostram vacas decapitadas, com vísceras expostas e até fetos espalhados pelo chão de terra.

Segundo um dos coordenadores da fazenda – que não quis se identificar -, não é a primeira vez que a situação ocorre. Ele afirma que, de maio até hoje, o número de animais mortos na fazenda já chega a 800. Ainda de acordo com funcionário da fazenda, o problema maior é o valor agregado nas vacas mortas, já que todas faziam parte do processo de transferência de embrião. “As suspeitas são de que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST), estejam envolvidos nas mortes”, disse o funcionário. Todos os animais estavam alojados no Retiro Rancho Americano, localizado dentro da fazenda. Além de matar os animais, o bando ainda cortou a barriga das vacas e retirou os bezerros que estavam sendo gerados.

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O superintendente da Polícia Civil em Marabá, delegado Marcelo Delgado, informou que recebeu a denúncia do crime pela Polícia Militar, que enviou perícia por meio do Instituto Renato Chaves ao local para analisar os animais mortos. Sobre as suspeitas de quem seriam os autores do crime, o delegado informou que a trabalha com algumas linhas de investigação já levantadas pelos trabalhadores da fazenda, mas está aguardando a formalização da denúncia, por meio de um Boletim de Ocorrência, que deverá ser encaminhado a Delegacia de Conflitos Agrários (Deca). Ainda de acordo com a polícia, foram encontrados alguns cartuchos de espingarda ao lado dos corpos dos animais. Todo o material seráo encaminhado para análise técnica.

Invasões envolvem ameaças e sequestros

Ezio da Silva Costa, diretor de operações da Agro Santa Bárbara, proprietária da fazenda Cedro, diz que há 6 anos a empresa vem sofrendo com o conflito agrário na região. “Nesse período, milhares de cabeças de gado foram abatidas e roubadas pelos invasores”, afirma. Outros milhares, que não morreram imediatamente, precisaram ser sacrificados diante dos ferimentos.

Além disso, por diversas vezes, diz Ezio, pastos produtivos foram queimados criminosamente, casas de funcionários incendiadas e depredadas e maquinários produtivos destruídos. “Sem falar que, por diversas vezes, funcionários foram sequestrados, surrados e mantidos como reféns”, coloca.

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Somente em 2015, foram abatidas e roubadas mais de 800 cabeças de gado da fazenda, quase sempre com uso de armas de fogo. “Os invasores fizeram os funcionários da Agro Santa Bárbara e seus familiares referéns”, denuncia.

Crianças e idosos também foram mantidos em cárcere privado, diz Ezio, por horas sob ameaça psicológica e sob mira de armas de fogo.

O diretor informa que, apenas ontem, foram abatidas 29 vacas prenhas, com alto valor genético, utilizadas em programas de melhoramento da produtividade do rebanho de leite nacional. As vacas foram evisceradas e os bezerros, arrancados e espalhados pelo pasto. Outras foram decapitadas. “A ousadia dos invasores cresce a cada dia em virtude do sentimento deimpunidade”, critica. Apesar dos crescentes prejuízos da empresa e do clima de terror que se instala em suas fazendas, por causa da crueldade dos atos dos invasores, Ezio garante que a Agro Santa Bárbara continua buscando “solução pacífica para o campo”. Ele pretende manter interlocução sistemática e permanente com as autoridades do Governo, responsáveis pela resolução do conflito local.

Contato

A reportagem tentou entrar em contato com a sede do MST em Marabá e em Eldorado dos Carajás, mas todos os telefones estavam em caixa postal. Também tentamos falar com o advogado da Comissão Pastoral da Terra, José Batista Afonso, para comentar o caso, mas não obteve resposta. (Luiz Flávio/Diário do Pará)

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