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A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal de Redenção, no sudeste do Pará, ordenou o bloqueio dos bens do prefeito do município, Vanderlei Coimbra Noleto, da Secretária de Saúde Sinmarlene Dueti Rezende Silva e do pregoeiro Wilmar Marinho Lima, por suspeitas de fraudes e superfaturamento em licitação para compra de medicamentos e materiais laboratoriais, cirúrgicos e odontológicos. De acordo com cálculo da Controladoria Geral da União (CGU), o prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 1,9 milhão. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (3).

Além dos servidores públicos, o bloqueio de bens também atinge cinco empresas suspeitas de terem participado das fraudes na licitação. No total, a CGU encontrou 10 irregularidades na licitação, passando por sobrepreço, superfaturamento, direcionamento da licitação e limitação da concorrência.

“Vanderlei Coimbra Noleto, na qualidade de Prefeito Municipal, é o administrador dos programas de saúde do Município e foi quem homologou o procedimento licitatório, atestando sua regularidade. Sinmarlene Dueti Rezende Silva, atuando como Secretária Municipal de Saúde, é a ordenadora de despesas dos referidos programas de saúde e possui o controle da pasta responsável pela licitação. Por fim, Wilmar Marinho Lima, pregoeiro, atuou diretamente nos fatos narrados, pois era o gerenciador do certame”, narra a decisão que bloqueou os bens dos três.

Fraudes

As empresas Rendefarma Ltda, Nogueira Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda, Loreto Diagnósticos Ltda, All Médica Distribuidora de Materiais Hospitalares e Parafarma Medicamentos e Hospitalar Ltda são acusadas de fornecer certidões fora do prazo de habilitação da licitação e realizaram contratação sem apresentar os documentos exigidos pelo edital.

Superfaturamento

O relatório da CGU, levado até a Justiça pelo MPF, apresentou uma lista de irregularidades. Um dos exemplos de superfaturamento foi a aquisição do produto Permetrina 1% loção, pelo valor unitário de R$ 3,2, em uma despesa total de R$ 18.240. O valor médio do produto era de R$ 0,98, conforme previsto no banco de preços da saúde, que orienta as licitações de produtos para a área em todo o país (com variações regionais). Se o preço previsto tivesse sido praticado, a aquisição seria 226,53% mais barata, totalizando apenas R$ 5.586.

“Outra aquisição que se mostrou substancialmente mais onerosa do que a média da região foi a Levodopa Benserazida 200 mg + 25 mg (aquisição de 20.000 unidades), pelo preço de R$ 26, num total de R$ 520 mil, enquanto a média prevista no BPC seria de R$ 1,41, que totalizaria R$ 28.200, representando uma diferença de 1.744% e um pagamento a maior de R$ 491.800”, diz a decisão do juiz Victor Curado Silva Pereira.

Ao final do processo, o MPF pediu que a Justiça obrigue o ressarcimento integral do dano, a proibição das empresas de contratar com o poder público, a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos dos agentes públicos.

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